Saúde

Psiquiatra alerta para 'tsunami' de doenças mentais após pandemia

Referência em psiquiatria, Irismar Reis aponta danos cerebrais causados pelo coronavírus e como doença afeta psicologicamente a população

[Psiquiatra alerta para 'tsunami' de doenças mentais após pandemia]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 14 de Setembro de 2020 ⋅ 09:13


O médico psiquiatra e professor, Irismar Reis, referência em psiquiatria clínica e psicoterapia cognitiva, avaliou os danos psicológicos da população após a pandemia de coronavírus. Em entrevista a Mário Kertész hoje (14), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ele apontou para um risco de "tsunami" de doenças neurológicas por conta da pandemia. Questionado sobre a possibilidade de parte da sociedade adotar uma postura negacionista, dr. Irismar avaliou que muitas delas não se dão conta desse posicionamento. 

"O que passa pela cabeça das pessoas, passa de uma certa forma automaticamente. Há muitas coisas que passam e a gente não reflete muito. Imagine então se o fio de pensamentos são de negação e quando, por exemplo, temos exemplos de autoridades que admiramos e negam a pandemia e a Covid. Somado o fato de que as pessoas estão entediadas e estão cansadas disso, as pessoas começam a acreditar menos. Há um fenômeno que a gente chama de habituação. Você tem medo no início, tem toda aquela preocupação e cuidados são redobrados. À medida que o tempo passa, você começa a negligenciar", afirmou o psiquiatra. 

Na entrevista, Irismar Reis também falou do índice de suicídios na pandemia. Segundo o médico, as informações colhidas nos últimos meses apontam que os danos podem ser muito mais longos do que se imagina. " Eu diria que essa pandemia é o maior experimento, claro que não-previsto e sim natural, um laboratório. Ainda teremos muitos anos, até para entender tudo o que ocorreu em termos de comportamento decorrente dessa pandemia. Em relação aos transtornos mentais, de alguma forma eles estão aumentando. Minha demanda hoje é maior do que era antes. Eu converso com meus colegas psiquiatras e eles dizem que estão trabalhando muito", declarou o especialista, que também falou sobre uma alta de casos de suicídio.

"Parece que esse aumento existe. Não só da depressão, mas principalmente de outros transtornos de ansiedade. O que se espera é uma espécie de tsunami na área de saúde mental. Esses transtornos estão aumentando muito. A gente espera que algumas coisas que funcionam como causa de suicídio, a depressão sendo a maior delas, mas temos outros como transtorno de stress pós-traumático, consumo de álcool e drogas. Essas coisas estão aumentando e o que a gente pensa como consequência disso é que também o número de mortes por suicídio aumente", afirmou.

Sobre o vírus, Irismar Reis apontou que também há registros de ocorrências cerebrais em pacientes que tiveram a Covid-19. "Ela ataca o corpo inteiro. O cérebro não é uma exceção. Os pesquisadores já começam a achar lesões cerebrais provocadas pela Covid e, consequentemente, os comportamentos decorrentes disso, ocorrem também. O que a gente não sabe ainda quais vão ser as sequelas em longo prazo, porque nós ainda não temos informações suficientes", afirmou. 

A melhor forma de prevenir o suicídio e evitar novos transtornos é tratar dos problemas, segundo apontou o médico. "Melhor forma de prevenção é você tratar aquilo que o indivíduo tem de base. Quais são os transtornos psiquiátricos que mais levam ao suicídio? O mais importante e mais frequente é a depressão. Tem o transtorno bipolar, tem consumo de álcool e drogas, esquizofrenia e transtornos de personalidade. Essas coisas podem ser diagnosticadas e, desde diagnosticadas, tratadas. A melhor forma de prevenir o suicídio é prevenir o que o indivíduo tem", declarou o especialista. 

Notícias relacionadas