Bateu no teto

A má fase entrou na mente de cada atleta e eles não respondem mais da maneira adequada

[Bateu no teto]
Foto : Felipe Oliveira/ECB

Por Lula Bonfim no dia 07 de Novembro de 2019 ⋅ 07:11

Ontem, na Fonte Nova, o Bahia alçou 49 bolas na grande área. O aproveitamento de 22,45% nos cruzamentos está dentro da média tricolor na competição. É um dado aceitável dentro do que é o Campeonato Brasileiro. Porém, o número total de levantamentos na área - repito: 49! - é totalmente fora de propósito e indica o desgaste físico e mental da equipe, que está atrapalhando também os aspectos táticos e técnicos. Demonstrando desespero, os jogadores tricolores estavam cruzando quando não havia boas condições para isso.

Depois que o Bahia empatou a partida, com um belo gol do garoto Marco Antonio, a Chapecoense esteve atônita. Foi num escanteio rasteiro de Guerra que o nosso gol saiu. Parecia um recado para a equipe, de que havia outra opção além da bola aérea. O Esquadrão teve a chance de colocar a bola no chão e encontrar os espaços para construir a virada. Mas, ao invés de ganhar confiança, os atletas tricolores acumularam mais desespero diante da oportunidade de virada.

Por duas vezes, na reta final do jogo, Nino recebeu na intermediária e tinha um atacante aberto na ponta, para construir uma jogada melhor trabalhada. Mas preferiu cruzar de onde estava. Se eu, mero torcedor e amante do futebol, sei que cruzamentos da intermediária favorecem a defesa, imaginem vocês o quanto Nino Paraíba, experiente lateral, sabe disso. Essa é a prova que os atletas do Bahia não estão nas suas melhores condições psicológicas.

A má fase entrou na mente de cada atleta e eles não respondem mais da maneira adequada. Eu já disse aqui: para que essa equipe renda, eles precisam estar na ponta dos cascos, no melhor de seus estados físicos e psicológicos. Essa é a realidade de um time mediano que, por méritos próprios, criou grandes expectativas na sua torcida e agora não sabe lidar com tamanha frustração. O Bahia bateu no teto e o torcedor não engole essa decepção.

Soluções
Neste momento, Guerra é o nosso único meia de armação no elenco (Shaylon, eu ignoro, visto que não joga há 19 rodadas). Mas o inteligente venezuelano, que quase conseguiu virar o jogo, não consegue dar à equipe a intensidade necessária ao futebol do século XXI. Por isso, Roger resolveu ir de Marco Antonio no meio. O garoto, no entanto, tende a buscar às pontas - sua posição original -, deixando um buraco no meio. Isso foi claro durante todo o 1º tempo.

Percebo ser um dilema para Roger: entrar com Guerra na sua posição, porém sem desempenhar bem, ou Marco Antonio, que vive boa fase mas não consegue se adaptar corretamente à parte central do gramado? No momento, eu não faria nenhuma das duas coisas. Talvez, o ideal seja retornar aos três volantes, com Gregore, Ronaldo e Flávio, deixando este último como “sétimo homem”, a fazer a ponte da volância com o ataque. Isso não é possível para domingo, visto que Ronaldo pertence ao Flamengo e não poderá jogar. Mas deve ser pensado seriamente para o confronto diante do Palmeiras, dia 17, na Fonte.

Marco Antonio deve ser usado na ponta, como gosta de jogar, chamando o lateral adversário para o duelo. No um-contra-um, o garoto paraense é excelente e pode nos ajudar bastante. Ele entraria no lugar de Artur, que não vive seu melhor momento no Bahia e não ficará no Tricolor em 2020. Elber, que está oscilando negativamente junto com o restante do time, tem menos moral com o treinador não sei por qual motivo. Foi ele, por exemplo, quem criou e perdeu a melhor chance tricolor na 1ª etapa ontem. Artur pouco fez e ficou em campo até o fim.

Nino Paraíba também não vive grande momento. Fez um jogo muito ruim diante da Chape e deveria ganhar um descanso. Para isso, o Bahia contratou João Pedro no meio da temporada. Vamos usar o atleta, que tem qualidade para ajudar e certamente está mais inteiro no aspecto físico. Moisés segue mal, mas, neste caso, a substituição por Giovanni faria cair muito o nível da lateral esquerda. Gregore é outro bom jogador que está em má fase, mas a diretoria se esqueceu de volantes na montagem do elenco tricolor.

É preciso mexer com os brios e a motivação do elenco nessa reta final. Botar alguns queridos no banco e dar chance a quem está subindo. Passou por aí, creio eu, a mudança de Gilberto por Fernandão nas últimas partidas. Se não rodar o elenco, as questões físicas e mentais que nos atrapalham podem nos tirar até a Sul-Americana, a competição continental que parece nos restar.

Saudações tricolores
 

*As opiniões colocadas neste texto não representam, necessariamente, a posição do Grupo Metrópole

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