Terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Juliana, vem ver os delírios da direita 

Que nome dar senão delírio ao apego da direita bolsonarista aguerrida, os 20% que avaliam o presidente como ótimo e bom, à condenação da vacina?

Juliana, vem ver os delírios da direita 

Foto: Reprodução Jornal da Metropole

Por: Malu Fontes no dia 13 de janeiro de 2022 às 10:03

O ritmo e o volume dos acontecimentos são de uma intensidade tal que algo ocorrido há apenas alguns meses reaparece na memória como algo fossilizado, de tão antigo que parece. Não faz nem um ano que um vídeo da atriz Juliana Paes viralizou, mas já parece de anos. Em junho do ano passado, “Ju” achou por bem oficializar sua posição política neutra e a registrou em imagens, dizendo-se desamparada. Não via eco de sua representação nem na direita arrogante nem nos delírios comunistas da extrema-esquerda (sic).

Sete meses depois, Ju deve estar menos desamparada, envolvida com o ‘muito calor humano’ das gravações da nova novela das nove, o remake de Pantanal, em que fará a personagem da mãe de Juma Marruá, vivida no passado por Cássia Kis. Mas no entorno, no que se refere ao clima político vigente no país, o caldo só entorna. A flagrante inviabilidade, até aqui, da tal terceira via e da inexistência de um nome que pareça ter consistência para chegar perto das intenções de voto de Lula e Bolsonaro nas pesquisas, contribui ainda mais para a polarização, cada dia mais delirante. 

E vamos combinar que se é para chamar alguma coisa de delirante no comportamento político das pessoas, a extrema-direita avança todos os dias muitos degraus rumo ao topo do delírio. Enumerar delírios da direita renderia diversas colunas, todas sob o risco de parecerem referir-se a ficção, e das muito ruins. O pastor delirante mor da República, Silas Malafaia, em nome da liberdade de expressão, teve posts banidos das redes sociais nesta semana por delirar no grau máximo e afirmar, sem meias palavras, que a vacina de crianças contra o vírus da Covid é sinômino de infanticídio. A hashtag #DerrubaMalafaia funcionou e a aberração do pastor foi excluída pelas empresas. 

Que nome dar senão delírio ao apego da direita bolsonarista aguerrida, os 20% que avaliam o presidente como ótimo e bom, à condenação da vacina? A essa altura dos acontecimentos, o que o presidente, sua tropa mais próxima e os negacionistas ganham politicamente fazendo campanha contra a vacinação? O que o presidente ganha acuando e atacando o presidente da Anvisa, a quem não pode demitir, como tem feito? O ministro das Comunicações, Fábio Faria, também conhecido como o genro de Silvio Santos, recentemente participou de um encontro na igreja Lagoinha, em Orlando, na Flórida (EUA), e alertou os evangélicos presentes. Se o comunismo voltar, se referindo ao PT, as pessoas vão morrer de fome no Brasil. 

Estamos em 2022, o presidente é Jair Bolsonaro, um lunático da extrema-direita populista, tem muita gente passando muita fome, pessoas em filas disputando ossos descartados por açougues, mas o delírio do ministro prega uma fome futura e pela via do comunismo, se Lula vencer a eleição. Em São Paulo, a coroa do PIB nacional, quem delira batendo o pé que vai porque vai ser governador do estado representando a direita bolsonarista é Abraham Weintraub, que saiu escondido do país e do Ministério da Educação pela incompetência extrema e pediu a prisão dos ministros do Supremos, vagabundos, segundo ele.   

DONA DE MOTÉIS 

A onda bolsonarista que reivindicava o selo de direita elegeu muita gente de primeiro mandato país adentro. Uma delas foi a senadora Soraya Thronicke, no Mato Grosso do Sul, vice-líder do Governo no Senado. Empresária do ramo de motéis, Soraya tornou-se famosa com sua participação na CPI da Covid no Senado. Chamou atenção por suas intervenções mais equilibradas, distantes dos delírios de gente como Marcos Rogério e Luiz Carlos Heinze, o senhorzinho que colocou Rancho Queimado no mapa midiático.  

Por defender agora a construção do que ela chama de direita racional, em oposição à “direita camicase que se autodestrói”, a senadora vem sendo linchada moral e politicamente, com campanhas de ódio nas redes e nos grupos bolsonaristas que antes a aplaudiam. Defensora da vacina e crítica dos que atacam o STF e o Congresso, Soraya agora é atacada por ser dona de rede de motéis. Motel não pode, mas Regina Duarte vê Jesus Cristo caminhado de braços dados com o presidente empanzinado num corredor de hospital e Fabrício Queiroz, o miliciano, já está anunciando a campanha para deputado federal pelo Rio de Janeiro. Quer ter uma rachadinha para chamar de sua. Ô, Juliana, tem que ver isso daí do delírio comunista da extrema-direita. 

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