Segunda-feira, 08 de agosto de 2022

Deus quer paz para o povo do candomblé

Duas estudantes de Lauro de Freitas foram afastadas da escola municipal acusadas de provocar mal estar nos colegas

Deus quer paz para o povo do candomblé

Foto: Reprodução

Por: James Martins no dia 28 de julho de 2022 às 09:59

Um pensador cujo nome agora me escapa disse certa vez: “O Brasil só será de fato o maior cristão do mundo, quando o povo do candomblé puder viver em paz aqui”. Estas palavras me vieram à mente diversas vezes nos últimos dias, graças a notícias como a de um pastor que associou, em música e videoclipe, a violência vivida nas periferias de Salvador a uma suposta influência dos orixás, assim como aquela outra sobre duas estudantes de Lauro de Freitas que foram afastadas da escola municipal acusadas de provocar mal estar nos colegas mediante rituais de seita maligna. Casos semelhantes a estes, infelizmente, não são raros, mesmo em nosso estado de maioria negro-mestiça e referência mundial em legado afro-religioso. Minha querida Cristiele França, nascida e criada no candomblé, me contou ainda que há estudantes que, depois de “fazer o santo”, preferem explicar a cabeça raspada aos colegas como resultado de tratamento contra leucemia, pois assim, em vez de hostilidade, angariam solidariedade e compaixão.

Um levantamento de 2020, feito pelo historiador francês Sébastien Fath, assegurou que o Brasil é o quarto país com o maior número de evangélicos no mundo. Eis o ranking: Estados Unidos (93 milhões), China (65 milhões), Nigéria (55 milhões), Brasil (46 milhões), Índia (28 milhões). Somados à comunidade católica, temos uma comunidade cristã realmente significativa, sempre disputando o topo com os Estados Unidos da América. Voltando à Bahia, vale ressaltar um dado omitido na maior parte das estatísticas e análises: aqui, uma parte importante dos católicos praticantes também são adeptos do candomblé. Mas o que importa mesmo é o seguinte: enquanto houver desrespeito às outras religiões, até mesmo com evangelismo terrorista dentro de terreiros, este cristianismo não é digno do nome. Ou talvez até o seja, mas certamente não do amor de Cristo. Outras palavras me ocorrem agora, desta feita de um poeta, simples mas eficaz extração de um acento agudo: “Em nome do pai, do filho e do espírito santo: AMEM
 

Artigos Relacionados

Deus quer paz para o povo do candomblé - Metro 1