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Ciclo de festas e pandemia

Como celebrar o ciclo de festas populares baianas que se inicia oficialmente nesta sexta, 4 de dezembro, em plena pandemia do coronavírus?

[Ciclo de festas e pandemia]
Foto : Arquivo

Por James Martins no dia 03 de Dezembro de 2020 ⋅ 17:40

E aí, como celebrar o ciclo de festas populares baianas, que se inicia oficialmente nesta sexta, 4 de dezembro, em plena pandemia? O prefeito já anunciou que “pode ter uma coisa simbólica”, mas não festa de largo. No que fez muito bem, até porque festas de largo já houve, no dia da eleição, e não deu no que preste, né? Bom, se depender de mim, ficaremos mesmo com a coisa simbólica.

Proponho aproveitar o momento para refletirmos, por exemplo, por que esse período que já começou no dia 8, com a outrora opulenta festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, antecipou-se para o de Santa Bárbara-Iansã. Isto é, por que esta festa cresceu tanto enquanto aquela só míngua ano a ano? Ora, ambas se passam no Centro Histórico. E a explicação de que a decadência da Conceição se deve ao boom neo-pentecostal deveria valer também para a madrinha do corpo de bombeiros e padroeira dos mercados da cidade.

Nem acho correto (atenção, contém ironia) atribuir-se o sucesso de Bárbara à sua filiação ao comunismo, que obriga os devotos a vestirem vermelho. Mistérios. Depois vem Santa Luzia, no dia 13 e, fechando um ano e abrindo outro, a festa de Bom Jesus dos Navegantes, com sua peculiar procissão marítima capitaneada pela Galeota Gratidão do Povo. Uma cerimônia que começa “no ano passado”, conforme diz Jorge Amado no belo filme “Festas na Bahia de Oxalá” (1969), de Ronaldo Duarte. E como eu sei que, por essas e outras,  muita gente também quer ver esse ano de 2020 pelas costas, isto é, no passado, confinado à história e bem longe de nossas vidas reais, aproveito para fazer um breve apanhado de eventos luminosos ligados ao passado de nosso ciclo de festas.

O filme citado já é uma primeira dica. Outra: o livro “Festas Tradicionais da Bahia”, de Jayme de Farias Góes, com ilustrações de Carybé e curioso glossário. E por falar em Carybé, o pintor revela-se também um excelente escritor no livro “As Sete Portas da Bahia”, reeditado há não muito tempo. No prefácio, Jorge Amado (de novo ele), sentencia: "Quando nada mais restar de autêntico, quando tudo já se fizer apenas representação, mercadoria a transformar-se em dinheiro na sociedade de consumo, a memória perdurará pura pois o filho de Oxóssi e de Oxum, o obá de Xangô, guardou a verdade íntegra na criação de uma obra sem igual".

Palavras semelhantes podem ser dirigidas ao fotógrafo Adenor Gondim, a quem devemos muito a preservação de parte de nossa memória visual. Afinal, senão por suas fotos, como convencer as novas gerações da beleza que as barracas tinham antes de serem substituídas por esses vis armengues de metal sempre apregoando marcas de cerveja? O que me dói é não termos nenhum registro realmente digno do magnetismo de Fialuna, timbaleiro rei das festas de largo.

Enfim, se esse ano é de ficarmos com as coisas simbólicas, devemos aproveitá-lo para entender de onde vinha/veio/vem a graça daquilo que alguém já chamou "barroco de exteriores", para, quando a festa voltar, podermos nos colocar à sua altura. Afinal, quem não tem balangandãs não vai ao Bonfim.  

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