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Os advogados e a Faroeste

Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas, professora da Facom/UFBA e colaboradora da Rádio Metrópole

[Os advogados e a Faroeste]
Foto : Angeluci Figueiredo

Por Malu Fontes no dia 17 de Dezembro de 2020 ⋅ 09:20

Até as pedras do estacionamento do Tribunal de Justiça da Bahia sabem que não se monta uma organização criminosa como essa do escopo da Operação Faroeste sem a participação ativa e igualmente criminosa de dezenas de advogados que se tornam milionários em poucos anos, dividindo propinas de compra e venda de sentenças. Mas também se sabe como é a via-crúcis da rotina dos profissionais do direito que não aderem a essas práticas para defender seus clientes em processos contra gente poderosa. 

Antes, era só o cidadão comum que não confiava na Justiça. Diante dos esquemas que se montam nos bastidores dos tribunais, e vendo as estratégias reveladas a cada uma dessas operações da Polícia Federal, são os advogados que temem já ao entrar com processos, por se saberem potencialmente derrotados, mesmo que seus clientes estejam cobertos de razões e direitos. Dependendo quem é o juiz ou a juíza do caso e contra quem se briga, os autos podem valer muito pouco e quase nada. Vitórias e derrotas se dão em outras dimensões, por outras razões, seguindo e segundo princípios e valores bem distantes dos da justiça. 

O próprio universo das cortes judiciárias no Brasil já tem uma característica que desencoraja quem não tem acesso às bancas mais bem relacionadas. Qualquer levantamento primário mostrar que para cada juiz e juíza, desembargador e desembargadora, há um escritório de advocacia vinculado por sobrenome, comandando por mulheres, maridos, filhos, genros, noras, parentes de qualquer ponto na árvore genealógica. 

PLACA FRIA - Claro que todo mundo jura que não há interferência. Claro que até se faz de conta que é impossível interferir, já que não é exatamente difícil o processo decidido pelo desembargador A ter como representante o escritório dos parentes da desembargadora C ou ter como lobistas amigos caros ao juiz D. As coisas são assim, arrumadinhas para não colocar em cena explicitamente as subjetividades, em nome do impedimento ético e coisa e tal. Ora, estamos no Brasil, onde da caixa de Pandora até a esperança escapou de há muito. Quem, a sangue frio, acredita que um advogado de um escritório sem a grife do parentesco com as togas vence facilmente, com base exclusivamente nos autos, um processo mais complexo ou envolvendo cifras e interesses desses vultosos? 

E isso vale para todos os estados, todas as instâncias da justiça. Frequentemente, vemos na imprensa ilações dando conta de relações pouco transparentes e pouco republicanas entre ministros do Supremo e escritórios de respectivos parentes. O ambiente já é corporativo e nepótico desde a gênese. No mesmo tempo em que os togados do Tribunal de Justiça da Bahia atingidos pela Faroeste se contorcem em coro para dizer que são inocentes e que foram pegos para Cristo, por forças ocultas sabe-se lá operadas por quem, advogados ensaiam algum alívio, por vislumbrar, quem sabe, algumas possibilidades futuras de terem seus processos julgados por senhorzinhos e senhorinhas que no dia seguinte não estejam na Papuda ou tentando fugir em carros com placa fria.

 

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