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O novo normal trouxe novas cepas do vírus, tá devendo a nova humanidade

Enquanto se estuda a variante do corona de Manaus ou da Califórnia, o homem e a mulher sapiens de Pernambués ou da Pituba permanecem andando sem máscara, como nas cavernas.

[O novo normal trouxe novas cepas do vírus, tá devendo a nova humanidade]
Foto : Divulgação

Por James Martins no dia 25 de Fevereiro de 2021 ⋅ 10:10

O vírus é mais rápido que a gente. Quando a pandemia chegou ao Brasil, forçando isolamento social e reconfiguração das relações interpessoais, profissionais e, mesmo, institucionais, choveram interpretações de algibeira implicando motivações à doença (“veio para nos ensinar”) e garantindo que da relação com o novo coronavírus sairia uma também nova humanidade. “O novo normal”, diziam, como antes já se falara em nova política. Aliás, alguém chegou a constatar, certeiro: “O novo normal é a nova nova política”. E poderia acrescentar: “É aquilo mermo, não muda nada”. O fato é que, um ano decorrido, o vírus já se transformou algumas vezes, gerou novas cepas, versões atualizadas, mais contagiosas e letais, etc etc etc, enquanto nós, pelo visto, não evoluímos um milímetro sequer. 

Assim, enquanto se estuda a variante do corona de Manaus ou da Califórnia, o homem e a mulher sapiens de Pernambués ou da Pituba permanecem andando sem máscara, como nas cavernas. E o prometido era que a nova humanidade saberia não apenas confrontar a ameaça biológica com eficácia, mas também seria mais solidária, menos consumista, mais amena, mais imune e, enfim, mais humana. Mas o vírus já tá lá na frente, enquanto aqui lemos notícias de superfaturamento de equipamentos de proteção, fraudes em licitações para hospitais de campanha, contrabando de vacinas e o escambau. Aliás, sejamos sinceros, o conronguinha, com seu tamanho menor que um pensamento, deve rir da nossa cara ao ver que a maioria de nós ainda nem entendeu para que serve aquele pedaço de pano que colocamos na cuja e o retira bem na hora de falar ou de tossir. Nem vou citar as máscaras no queixo.

Ao mesmo tempo, surge a novidade (news) de que os iPhones estão sendo preparados para realizar testes rápidos de covid. “O resultado aparece em 60 segundos no app e pode ser enviado às autoridades de Saúde. O sensor, que também é capaz de detectar o coronavírus em superfícies, deve estar disponível entre julho e agosto por US$ 55, ou R$ 316 em conversão direta, sem impostos”, diz a notícia. Eu não tenho celular há 13 anos. Portanto, não peguei a fase dos aplicativos. Há quem atribua (erroneamente) à minha escolha alguma espécie de protesto anti-consumista ou anti-tecnologia. Nem uma coisa nem outra. Não tenho, apenas. Como também não tenho bicicleta ou microondas. Mas sou favorável ao engajamento da Apple na construção do #novonormal.

Explico: a empresa de Steve Jobs poderia desenvolver um ser.humano plus, ou uma humanidade-x, algo assim, para ver se a gente consegue diminuir um pouco a defasagem em relação à tecnologia do corona e, talvez, iniciar de fato o tal novo normal. Até porque, no momento, selfies em grupo são um grande fator de contágio, o que só comprova que não estamos à altura dos aparelhinhos que portamos. O grande problema é o preço! Pois só esse treco aí do teste rápido vai custar mais que uma parcela do prometido novo auxílio emergencial. Ou seja, por qualquer ponto de vista (e contém ironia sim) uma pessoa tá valendo bem menos que um iPhone. Como já era antes da pandemia. Repito: o vírus é mais rápido que a gente. E deve morrer de rir, enquanto a gente morre também.

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