
Eduardo e os casos de família
Ao dizer que se o pai não for candidato ele próprio será, o que Eduardo Bolsonaro diz é algo como “ele ou eu”

Foto: Reprodução
Eu ou ele. O tom dado por Eduardo Bolsonaro ao impor sua candidatura à Presidência da República é esse, e duplamente. Se não for o seu pai o candidato, ele quer a vaga. E se for Tarcísio de Freitas o anunciado, ele se interpõe e se coloca no lugar. Os rumores, espalhados pelo próprio dono do partido de Bolsonaro, Valdemar da Costa Neto, de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deve ser o candidato da legenda, o PL, à Presidência da República, mesmo estando hoje em outro partido, colocou mais um foco de fogo no parquinho da família Bolsonaro.
Dos Estados Unidos, onde opera para ver como pode ferrar em mais e novas escalas a economia brasileira, o governo Lula e os ministros do Supremo, Eduardo Bolsonaro teve repulsa imediata às falas de Valdemar. Anunciou que se Tarcísio for candidato, substituindo o seu pai, ele, Eduardo, voltará para o Brasil e sairá candidato pelo PL. A fala tem muitos nós para desatar. É um anúncio explícito de briga no campo bolsonarista, antes de tudo. Sendo Eduardo o instrumento do tarifaço aplicado ao Brasil por Trump, fica difícil imaginar quem, entre as lideranças que têm voto no entorno de Jair Bolsonaro, tope subir num palanque e pedir votos para o agente do buraco aberto na economia brasileira.
Mentoria e Malafaia
Depois, o que farão Tarcísio e seus entusiastas, para silenciar a metralhadora giratória que é o filho do ex-presidente, disposto a tudo para consumar a tese de que seu pai deve ser não só anistiado de todas as acusações que coleciona como deve voltar sem dificuldades para a Presidência? Ao dizer que se o pai não for candidato ele próprio será o substituto, e ao afirmar isso após o entusiasmo do próprio Tarcísio e do presidente do PL, o que Eduardo diz é algo como “ele ou eu". Os entusiastas da segunda opção não parecem ser muitos.
Bolsonaro está em prisão domiciliar e abalado, segundo Valdemar, e seu julgamento está logo ali, portanto está podendo fazer pouquíssimo para acalmar o filho. Silas Malafaia não está podendo pegar o telefone e dar uns berros em Eduardo, como ele se gaba de dizer que faz, quando o garoto imaturo de 40 anos erra na estratégia. Sem mentoria, prestes a uma asfixia financeira e acometido de ira profunda contra os caciques do entorno paterno, Eduardo promete muitas aspas no futuro imediato para a cobertura política. Já se pode pegar a pipoca para assistir ao aumento da temperatura garantido nas próximas cenas desse Casos de Família.
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