
Mentiras para justificar violências
Criar mentiras para violências, para arbitrariedades é uma especialidade americana

Foto: Reprodução
Nessa tentativa de Donald Trump intervir em cidades governadas por democratas, eu chamo atenção para duas providências que o presidente norte-americano tomou. A primeira delas é mandar a Guarda Nacional - uma espécie de polícia super militarizada, um exército interno armado e muito bem treinado - ocupar a cidade de Washington, juntamente com o FBI. Ele tentou fazer o mesmo na Califórnia, mas não conseguiu. O governo reagiu e ele não teve como sustentar a mentira usada como justificativa, porque era excessivamente óbvio que ele estava mentindo quando atacou o estado e o governo do estado, responsabilizando-o pela insegurança, criminalidade, pelo excesso de complacência e tolerância com imigrantes ilegais. Em Washington, o crime não está em crescimento quando ele toma a decisão de chamar a Guarda Nacional e o FBI, invocando o crescimento inexistente da criminalidade urbana.
Outra coisa que merece mais atenção do que temos dado é o envio de três navios destroyers, com 4 mil fuzileiros navais, para as proximidades da Venezuela, isso ao mesmo tempo, em que ele se diz um executante de pacificações. Trump disse recentemente que fez seis pacificações em guerras ao longo do planeta.
O que ele pretende, na verdade, alegando que a criminalidade do tóxico ameaça a segurança dos Estados Unidos e quando manda para as proximidades ou para o mar da América do Sul essa tropa naval? E tudo isso após ter decretado a permissão de operações militares dos Estados Unidos em território alheio para combater o tráfico de drogas. Esse quadro ao qual se tem dado muito pouca atenção é muito estranho.
Isso é mais do que uma anormalidade, isso é uma ameaça, é um risco. Os governos sul-americanos e centro-americanos, por fingimento, cautela ou falta de atenção, não estão atribuindo a esse assunto a gravidade que ele tem. Trump é capaz de qualquer coisa, basta criar a mentira que a ser invocada para justificar o que ele tenha decidido fazer e o que mandará os poderes americanos fazerem.
Criar mentiras para violências, para arbitrariedades é uma especialidade americana. O Iraque foi invadido com a mentira sustentada - inclusive na ONU - por gente como o Colin Powell, que era o secretário de defesa, depois secretário de Estado americano. A pesquisa atômica e a construção da bomba por Saddam Hussein eram mentiras. A agência de fiscalização nuclear da ONU sustentou o tempo inteiro que não havia nenhuma pesquisa nesse sentido no Iraque, mas a mentira permitiu aos Estados Unidos, ao governo americano de Bush Filho no caso, cometer a invasão ao Estado iraniano e a partir dali transferir a propriedade do petróleo para americanos.
Para bombardear o pequeno Vietnã, os EUA violaram as convenções de Genebra, que entre outras coisas vetam a guerra química. Como puderam fazer isso se a legislação americana exige que um ataque militar seja em defesa e tenha um consentimento do Congresso? O governo americano simplesmente inventou um ataque a um navio americano feito pela artilharia do Vietnã do Norte.
Não há expectativas que, desta vez, esse envio de tropas da Guarda Nacional para Washington e os 4 mil marinheiros levados para o limite do mar da Venezuela tenham razões verdadeiras e autorização do Congresso Americano para de repente entrarem em ação.
* A análise foi feita pelo jornalista no programa Três Pontos, da Rádio Metropole, transmitido ao meio-dia às quintas-feiras
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