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Quinta-feira, 01 de janeiro de 2026

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Um Brasil a ser construído em 2026

Um Brasil a ser construído em 2026

Pregamos o combate à corrupção. Mas não nos faltaram escândalos, conchavos e silêncios sobre temas que vão das emendas do orçamento secreto ao Banco Master, passando pelas fraudes aos aposentados do INSS

Um Brasil a ser construído em 2026

Foto: Reprodução

Por: Cristiana Santos no dia 31 de dezembro de 2025 às 07:08

O ano se encerra. É momento de pensarmos no futuro. Desejamos aos nossos entes queridos saúde, paz e amor, imprescindíveis para tudo mais. E também um mundo sem guerras e sem fome, mais justo, menos desigual, em que as pessoas sejam respeitadas e o meio ambiente seja preservado.

Em 2025, o que fizemos para construir esse mundo? Essa pergunta é importante, pois um projeto só deixa de ser pensamento e desejo quando se transforma em ações.

Entre 2021/2023 assistimos a uma tentativa de golpe ser construída a céu aberto, que culminou em atos de vandalismo e na depredação no dia 08/01/23. Pela primeira vez, os responsáveis foram levados a julgamento e condenados. Mas antes mesmo do trânsito em julgado, ganhou força a proposta de anistia. Onde foi parar o discurso contra a impunidade?

Pregamos o combate à corrupção. Mas não nos faltaram escândalos, conchavos e silêncios sobre temas que vão das emendas do orçamento secreto ao Banco Master, passando pelas fraudes aos aposentados do INSS. Quantas entidades lançaram notas públicas manifestando apoio irrestrito à apuração dos fatos?

As mobilizações contra a anistia, a PEC da Bandidagem e o projeto da dosimetria curiosamente não foram lideradas pelos jovens, pelos sindicatos ou entidades da sociedade civil, mas por artistas que sofreram os reveses da ditadura de 64. Será que perdemos a energia e o idealismo que nos levava a lutar por um mundo melhor? Ou sucumbimos a um pragmatismo exacerbado, em que o correto é relativizado?

Desejar que nosso país seja mais seguro, menos violento e menos desigual dialoga fortemente com a oferta de educação pública de qualidade. Isso, de fato, está na agenda de cada um de nós? Vamos aos fatos.

Entre os que entendem que a educação pública é importante, quantos incentivariam, com orgulho, os filhos a serem professores? A pergunta é pertinente. Como o Brasil pretende construir uma educação pública de qualidade sem ter como docentes seus melhores talentos?

O Congresso tem uma bancada da bala presente, mas a da defesa da educação pública não tem a mesma força e articulação. Quantos, entre os que apontam a educação pública como uma demanda relevante, votaram em parlamentares que têm compromisso com ela?

São estas contradições de nossa sociedade que explicam (mas não justificam) o corte de quase meio bilhão de reais promovido no orçamento das Universidades Federais por parlamentares eleitos por nós, mas que há muito (com honrosas exceções) não nos representam.

Queremos um país mais seguro, menos violento e igual. Mas o racismo, a violência doméstica, o feminicídio e a homofobia ainda são problemas graves, e em alguns ambientes são lamentavelmente tolerados.

Enquanto a nossa ação cotidiana não for coerente com os nossos projetos, sonhos e desejos, não construiremos o país que almejamos.

Que 2026 seja um ano de renovação dos nossos compromissos com um mundo melhor, mais justo, menos desigual e mais respeitoso com todos e com o meio ambiente não apenas como expressão de um desejo, mas sobretudo através de nossas ações!