Quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Preso, morto ou com vitória 

Bolsonaro reedita essa sina maldita da América Latina e seus ridículos tiranos populistas

Preso, morto ou com vitória 

Foto: Reprodução Jornal da Metropole

Por: Malu Fontes no dia 09 de setembro de 2021 às 09:10

Enquanto os apoiadores de Jair Bolsonaro continuam nas ruas com palavras de ordem divinas, no mote “o Brasil acima de tudo; Deus acima de todos”, o lema agora adotado pelo presidente e repetido em cima de carrocerias de caminhão mudou, ganhando contornos mais ao gosto do populismo autoritário e ameaçador: “Só saio preso, morto ou com vitória”. E em seguida, lança as advertências: “Eu nunca serei preso”, e “quando entrei no Exército, lá atrás, jurei dar minha vida pela pátria. E tenho certeza que vocês todos, também de forma consciente, juraram dar sua vida pela sua liberdade”. Isso foi repetido para milhões no comício do fim do mundo, realizado no Sete de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Com essa ameaça embalada em heroísmo patriótico cafona, do tipo que apela para as massas com a possibilidade de morte e a convocação do que resta do seu eleitorado para fazer o mesmo, Bolsonaro reedita essa sina maldita da América Latina e seus ridículos tiranos populistas. Parecemos presos a uma repetição em ciclos da história como tragédia e como farsa, simultâneas, sobrepostas. Bolsonaro, sob o silêncio do coro surdo de ministros indicados a partidos políticos que têm obrigado o país a pagar bem caro para ver até onde vai o desmonte acelerado de tudo, da economia aos prédios públicos em sua estrutura física, radicalizou em São Paulo. Ao seu modo, derrubou a mesa e anunciou o golpe, ao decretar nas ruas que vai desprezar a legalidade do país. 

Os insanos que marcham nas ruas cobrando de voto impresso a combate à homossexualidade dobram a aposta a cada radicalização do presidente. Ignoram a realidade ao redor. O desemprego, a volta da fome como fenômeno, o preço da gasolina, a falta de projetos públicos em andamento. O governo não tem agenda e concentra todos os seus esforços numa antecipada campanha eleitoral com um roteiro único: atacar e derrubar o Supremo Tribunal Federal. 

SUGADORES DE TETAS - Vamos às hipóteses. Digamos que fosse possível atender o desejo populista militaresco do capitão e alguns ministros do STF fossem derrubados. O que aconteceria no instante seguinte, no day after? Como, seguindo a lógica do bolsonarismo, a queda de um ou dois ministros mudaria o fluxo do sucesso da gestão hoje inexistente do presidente? A não ser que alguém seja capaz de apontar quais são as medidas econômicas que Bolsonaro não pôde realizar Brasil adentro porque o STF impediu. Não há projeto, não há ação governamental que esteja no modo pause por ação do Supremo. A pauta do golpe do presidente, ao anunciar que só Deus, a prisão ou a morte o tiram de lá é exatamente a bucha de lixo usada para ficar onde sempre esteve, parado, inativo, e fazer campanha eleitoral diariamente com todas as contas da movimentação publicitária pagas pelo estado. 

Como já advertiu que ninguém o prenderá e que não admite a realização de eleições do modo como hoje elas são realizadas, do modo como ele mesmo foi eleito, sempre é bom reprimir, e partindo do pressuposto que ninguém pretende matá-lo, o que seria a única opção considerável por Jair Bolsonaro? A vitória, pela via do golpe institucional, que ele já anunciou ao dizer que ignora o Supremo. Dado, o golpe está. Só não se mantém se o outros poderes, mas, principalmente, os partidos que lhe dão sustentação, tomarem uma atitude. Mas os partidos e seus donos e presidentes preferem fazer a egípcia e repetir a lenga-lenga: as instituições estão funcionando e a institucionalidade está preservada. 

Há controvérsias. Preservadas mesmo estão as torneiras dos recursos públicos para os parlamentares e ministros das siglas beneficiadas. Nomes baianos de peixes ensaboados que fazem contorcionismos para ficar na moita e manter seus ministérios não faltam. O problema não é Bolsonaro. São os sugadores das tetas do bolsonarismo. Todo mundo sabe de quem se está falando. 

Preso, morto ou com vitória  - Metro 1