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Robson Jorge & Lincoln Olivetti: uma aula de música pop

Acima de todas as polêmicas, álbum lançado em 1982 reúne o sumo da soul music, do funk e do boogie, mesclando influências norte-americanas e brasileiras

[Robson Jorge & Lincoln Olivetti: uma aula de música pop]
Foto : Reprodução

Por Juliana Rodrigues no dia 28 de Janeiro de 2021 ⋅ 09:24

Hoje em dia não é difícil achar um músico, DJ ou pesquisador que mencione o disco "Robson Jorge & Lincoln Olivetti", de 1982, entre as grandes obras da música brasileira. Lançado pela gravadora Som Livre, o álbum instrumental quase inteiramente autoral é uma pequena amostra do virtuosismo de dois músicos e arranjadores tão amados quanto odiados, artífices do som oitentista. Das mãos do tecladista Lincoln Olivetti (1954-2015) e do guitarrista Robson Jorge (1954-1992) saíram as roupagens inesquecíveis de clássicos como "Festa do Interior", na voz de Gal Costa, "Banho de Cheiro", com Elba Ramalho, e "Chega Mais", de Rita Lee. (Menção honrosa para "Amor Objeto", sucesso na voz de Ney Matogrosso, que é meu arranjo favorito de Lincoln.)

Os mais puristas, defensores de uma ideia de brasilidade que é no mínimo questionável, se apressam em dizer que "dos anos 80 para a frente foi só ladeira abaixo na música brasileira". Foi nessa época que a produção musical das terras tupiniquins buscou se aproximar de uma sonoridade "universal", influenciada pelo pop americano e feita para tocar nas rádios FM. Também concordam com essa ideia aqueles que nunca engoliram bem a chegada dos sintetizadores e baterias eletrônicas, por acreditarem que tais instrumentos "pasteurizam" a música. Os dois grupos têm em comum Lincoln e Robson como bodes expiatórios e foram os principais formadores de opinião da "inteligência" brasileira dos anos 80. Mas os ventos começaram a mudar depois que pesquisadores estrangeiros (sempre eles, por quê?) redescobriram a obra desses dois magos do pop, com direito a novas prensagens em vinil e inclusão em coletâneas.

As doze faixas do álbum "Robson Jorge & Lincoln Olivetti" reúnem o sumo da soul music, do funk e do boogie, mesclando influências norte-americanas e brasileiras. Todas elas carregam o punch, as camadas de teclados, um naipe de metais poderosíssimo e a inconfundível guitarra de Robson. O baile é animado e vai do ritmo acelerado de "Jorgea Corisco" ao samba-funk de "Ginga", passando pela vinheta-sambão "Zé Piolho" e pelo pot-pourri que une "Baila Comigo", sucesso de Rita Lee e Roberto de Carvalho, a "Festa Brava", composição autoral. Vale dizer que Robson e Lincoln não só estão por trás do arranjo do hit arrasa-quarteirão da rainha do rock, como também assinam a versão instrumental usada na abertura da novela de mesmo nome, veiculada em 1981 pela Rede Globo.

Várias faixas do álbum entraram em rotação nas rádios da época, o que é um grande feito para um trabalho instrumental. Além do pot-pourri já citado, o maior sucesso foi "Aleluia", conhecida dos mais jovens por aparecer de vez em quando como música de fundo no programa Pânico, da Jovem Pan. É apenas um entre vários exemplos do impacto cultural de Robson Jorge e Lincoln Olivetti, que reverbera no passado e no presente, indo além de qualquer interpretação mesquinha e purista de "som pasteurizado". O (infelizmente) único álbum lançado pela dupla é uma verdadeira aula de música pop com qualidade.

Para ouvir o álbum completo:

Veja também:

A estreia solo de Ná Ozzetti, em 1988

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