Bahia

Coronel Sturaro critica argumentos de decreto armamentista

Comandante de operações da PM avalia que medida aprovada por Bolsonaro vai aumentar riscos: 'Na hora que você reage, tem que estar preparado para receber de volta'

[Coronel Sturaro critica argumentos de decreto armamentista]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Matheus Simoni no dia 13 de Maio de 2019 ⋅ 10:13

O Comandante de Operações da Polícia Militar, Coronel Humberto Sturaro, declarou que o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) facilita o porte de arma para um conjunto de profissões trará grandes riscos para a população. Em entrevista ao Jornal da Bahia No Ar da Rádio Metrópole hoje (13), o militar ressaltou a necessidade de garantir uma legislação forte e penas duras para coibir delitos. "A polícia hoje é responsável por manter lei e ordem. As pessoas querem uma polícia forte e justa. Precisamos de leis duras, comparamos sempre com outros países. Eu queria que fôssemos que nem o Japão, que é 0.6 armas para cada 100 habitantes. É isso que eu espero", declarou.

Sturaro declarou ainda ser contra a pena de morte, que chegou a ser defendida por alas próximas ao presidente. De acordo com o coronel, há uma necessidade de se garantir leis menos brandas e causem temor aos bandidos. 

Sobre a posse de arma, o Humberto Sturaro avaliou o alto risco de pessoas despreparadas tentarem reagir às abordagens de criminosos. "A pessoa tem direito de se defender e se proteger. Mas existe um fator que, por mais que a pessoa esteja preparada, ela ainda é vulnerável, que é o fator surpresa. Uma arma não quer dizer que você vai conseguir se proteger da violência, do ponto de vista pessoal. O marginal é sujo, não tem índole e é covarde. Quantos companheiros perdemos por estar na posse de uma arma? O tempo de reação é de milésimos de segundos", disse. 

"Uma coisa é atirar num prato, num javali ou num pombo. Vá atirar numa pessoa que está respondendo contra você. É uma situação completamente diferente, quem quiser que diga que não é porque nunca passou", acrescentou.

Sturaro aproveitou para criticar a cerimônia de assinatura do decreto, que contou com a presença de parlamentares da chamada "Bancada da Bala". "Na hora de assinar o decreto, quando você vê pessoas ali do lado do nosso presidente fazendo gestos de arma, me desculpe, é porque nunca passou pelo que a gente passou. Se quer mais [armas], vamos lá. Tem que combater o tráfico de armas e fortalecer nosso país para que essas armas não cheguem", declarou o militar. 

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