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Intervenção dos EUA na Venezuela quebra confiança regional, diz Celso Amorim

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Intervenção dos EUA na Venezuela quebra confiança regional, diz Celso Amorim

Assessor diz que intervenções só eram possíveis “antes da consolidação de instrumentos jurídicos como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os mecanismos de arbitragem e a Carta das Nações Unidas"

Intervenção dos EUA na Venezuela quebra confiança regional, diz Celso Amorim

Foto: Wilson Dias/Arquivo/Agência Brasi

Por: Metro1 no dia 20 de janeiro de 2026 às 16:11

Em um artigo publicado na última segunda-feira (19) na revista The Economist, o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela quebrou a certeza de paz na América do Sul — conhecida por ser uma região sem conflitos armados tradicionais — e exibe uma nova ordem mundial baseada na anarquia (filosofia que defende ausência de Estado e hierarquias). 

A menção de Amorim se refere à operação militar norte-americana na Venezuela, no último dia 3 de janeiro, que culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. 
“Essa confiança [de paz na América do Sul], porém, dissipou-se. A intervenção na Venezuela levanta uma questão mais ampla que define cada vez mais a política internacional: como podemos viver em um mundo sem regras? Pilares do direito internacional concebidos para regular a segurança coletiva, disciplinar o comércio mundial e promover os direitos humanos estão sendo minados simultaneamente. A erosão, uma vez iniciada, é difícil de reverter”, declara Amorim no artigo.

Segundo o assessor especial, essas intervenções só eram possíveis “antes da consolidação de instrumentos jurídicos como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os mecanismos de arbitragem e, claro, a Carta das Nações Unidas.”

No texto, ele cita também que o acordo entre Mercosul e União Europeia ganha um significado “ainda maior” em meio ao atual cenário geopolítico. “O resultado pode não satisfazer plenamente todos os 31 países envolvidos. Contudo, demonstra que negociações respeitosas, mesmo que longas e árduas, ainda são o melhor caminho”, comentou.