
Brasil
Incentivar desafios que coloquem a vida em risco pode ser considerado crime; entenda projeto
Texto amplia o alcance da legislação atual para abranger comportamentos arriscados que não necessariamente visam morte direta, mas que resultam em perigo extremo

Foto: Canva imagens
Um projeto que classifica como crime induzir, instigar ou auxiliar alguém a praticar atos que coloquem em risco a integridade física, a saúde e a vida, ou de terceiros está em análise na Câmara dos Deputados. O PL — de autoria do deputado Raimundo Santos (PSD-PA) — altera o Código Penal para incluir punições específicas para essas práticas, que muitas vezes ocorrem no ambiente digital.
A legislação atual já pune quem induz alguém ao suicídio e à automutilação. O novo texto, no entanto, amplia o alcance da lei para abranger comportamentos arriscados que não necessariamente visam à morte direta, mas que resultam em perigo extremo.
Punições
O texto prevê a pena de reclusão de seis meses a dois anos para quem induzir ou auxiliar a prática de atos danosos, inclusive prestando auxílio material. Se a conduta resultar em lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena sobe para reclusão de um a três anos. Caso o ato resulte em morte, a punição prevista é de dois a seis anos de reclusão.
Além disso, a proposta prevê ainda que a pena seja duplicada em situações específicas, como no caso de crime praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; e se for praticado contra vítima menor de idade ou com capacidade de discernimento e resistência diminuída, como pessoas com deficiência ou com algum tipo de transtorno mental. Outra condição que pode aumentar a pena até o dobro é se a conduta for realizada por meio de redes sociais, aplicativos, qualquer meio eletrônico ou transmitida em tempo real.
Penalidades para plataformas digitais
A proposta também estabelece responsabilidade solidária para plataformas e administradores de redes sociais. Com isso, as empresas podem ser responsabilizadas civilmente caso deixem de remover o conteúdo nocivo após receberem uma notificação formal.
Desafio da apagão
Segundo o deputado, a popularização das redes sociais facilitou a disseminação de desafios e jogos virtuais que incentivam práticas violentas, muitas vezes sob o anonimato de identidades falsas. Ele cita exemplos conhecidos como o “desafio do apagão”, no qual crianças e adolescentes são incentivados a cortar intencionalmente a própria respiração ou a circulação sanguínea até perderem a consciência.
O PL — que segue em regime de urgência — poderá ser votado diretamente pelo Plenário da Câmara. Para virar lei, precisa ainda ser aprovado pelos deputados e senadores.
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