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Estudo aponta que IA reproduz preconceitos regionais e reforça estigmas contra o Nordeste

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Estudo aponta que IA reproduz preconceitos regionais e reforça estigmas contra o Nordeste

Pesquisadores explicam que esses vieses decorrem da forma como a IA é treinada

Estudo aponta que IA reproduz preconceitos regionais e reforça estigmas contra o Nordeste

Foto: FreePik

Por: Metro1 no dia 04 de fevereiro de 2026 às 10:22

Um estudo da Universidade de Oxford revelou que ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, podem reproduzir e reforçar preconceitos regionais no Brasil, afetando especialmente o Nordeste e estados como a Bahia. A pesquisa, intitulada “The Silicon Gaze”, analisou mais de 20 milhões de consultas feitas à plataforma e identificou respostas baseadas em estereótipos culturais, que associam regiões mais pobres a características negativas.

Segundo o levantamento, estados do Sudeste e do Sul aparecem com avaliações mais positivas em temas como inteligência, governança e inovação, enquanto o Nordeste e o Norte são frequentemente retratados de forma desfavorável. Exemplos incluem a classificação de Maranhão e Piauí como locais com pessoas “mais ignorantes” e a associação de Bahia e Pernambuco a estigmas ofensivos, evidenciando a reprodução de desigualdades históricas.

Por outro lado, quando o assunto é "cultura" o Nordeste é mais bem avaliado. Estados como Bahia e Pernambuco são vistos como tendo os "melhores músicos" e as pessoas "mais criativas". Em outros atributos como "onde é mais fácil fazer amigos?" São Paulo está entre os últimos colocados, enquanto Minas Gerais ficou com a melhor colocação. Ainda assim, a oposição entre Sudeste/Sul e Nordeste/Norte permanece forte na maioria dos temas analisados.

Os pesquisadores explicam que esses vieses decorrem da forma como a IA é treinada, a partir de conteúdos produzidos majoritariamente em regiões ricas e ocidentais. Especialistas alertam que o uso crescente dessas ferramentas pode influenciar o debate público e decisões políticas, defendendo mais senso crítico, transparência e regulação para evitar que respostas enviesadas sejam tratadas como verdades absolutas.