
Brasil
AGU notifica Telegram por venda de comprovantes de vacinação falsos em grupos da plataforma
Ministério da Saúde identificou 18 grupos e canais envolvidos na comercialização ilegal de documentos; após a notificação, contas e conteúdos foram removidos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Telegram após o Ministério da Saúde identificar 18 grupos e canais da plataforma usados para a venda ilegal de comprovantes e passaportes de vacinação falsificados. Após ser acionado, o aplicativo removeu os grupos e canais denunciados e excluiu a conta de um usuário identificado durante a apuração.
Segundo as informações reunidas pelo Ministério da Saúde, os responsáveis pelos grupos ofereciam documentos falsos e anunciavam até a possibilidade de inserir registros adulterados nos sistemas oficiais de informação do Sistema Único de Saúde (SUS).
A notificação foi enviada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), vinculada à AGU, com base em um relatório produzido pela pasta da Saúde. O documento apontou riscos para a política nacional de imunização e para a confiabilidade das informações registradas nos sistemas públicos.
Risco para o controle de doenças
O Ministério da Saúde alertou que a utilização de documentos fraudulentos por pessoas não vacinadas pode comprometer as ações de vigilância e controle de doenças imunopreveníveis.
A circulação desses comprovantes também pode distorcer os dados sobre a cobertura vacinal, criando uma falsa impressão sobre os índices de imunização e dificultando a identificação de regiões e populações com baixa vacinação.
Além das medidas adotadas contra os grupos no Telegram, a AGU encaminhou à Polícia Federal as evidências reunidas durante a apuração para investigar possíveis crimes.
Plataformas podem ter responsabilidade
Na notificação, a AGU argumentou que a venda e a divulgação de documentos vacinais falsificados podem violar direitos relacionados à saúde e ao acesso à informação, além de normas previstas no Código Penal, no Código de Defesa do Consumidor e no Marco Civil da Internet.
O órgão também citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade das plataformas diante da circulação de conteúdos ilícitos publicados por usuários.
Segundo a AGU, os grupos identificados também descumpriam as próprias regras do Telegram, que proíbem conteúdos ilegais e permitem a remoção de publicações e o banimento de contas envolvidas em violações.
A ação faz parte das iniciativas do Ministério da Saúde voltadas ao combate à desinformação e à proteção das informações relacionadas à vacinação no país.
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