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Entenda os elos de miliciano morto com a família Bolsonaro

Ex-PM foi alvo de operação que envolveu as polícias do Rio e da Bahia e teria morrido depois de entrar em confronto com os policiais

[Entenda os elos de miliciano morto com a família Bolsonaro]
Foto : Leitor Metro1

Por Metro1 no dia 10 de Fevereiro de 2020 ⋅ 08:20

Morto no município de Esplanada (BA) ontem (9), o ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega é acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio de Janeiro e tinha um histórico de ligações com o senador e filho do presidente da República Flávio Bolsonaro. Ele foi alvo de operação que envolveu as polícias do Rio e da Bahia e teria morrido depois de entrar em confronto com os policiais. 

Adriano é um ex-capitão do Bope, elite da Pm carioca. Ele é suspeito de integrar um grupo de assassinos profissionais do estado. Já foi preso e solto três vezes, por um assassinato e uma tentativa de assassinato. Foi expulso da PM em 2014 por ter ligação com bicheiros. 

Confira algumas pergunta e respostas sobre ele, de acordo com reportagem da Folha:

1. Qual a relação de Adriano com Flávio Bolsonaro?

O ex-PM foi citado na investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) que investiga se houve "rachadinha", nome dado ao esquema de devolução de salários, no gabinete do filho do presidente, quando ele tinha mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A promotoria aponta que as contas de Adriano foram usadas para transferir dinheiro ao assessor Fabrício Queiroz, suspeito de comandar o esquema. 

Queiroz e Adriano já haviam trabalhado juntos no 18º Batalhão da PM. Familiares de Adriano foram contratados como assessores no gabinete de Flávio: a mulher do ex-capitão, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, de 2007 até 2018, e a mãe dele, Raimunda Veras Magalhães, de 2016 a 2018. 

2. Há mais relações entre a família Bolsonaro e Adriano?

Em 2005, enquanto estava preso preventivamente pela morte de um guardador de carros, Adriano foi condecorado por Flávio com a Medalha Tiradentes, honraria da Alerj. Dois anos antes, o então deputado estadual apresentou uma “moção de louvor” em favor de Adriano. 

Adriano também foi defendido pelo hoje presidente Jair Bolsonaro quando ele era deputado federal, em discurso na Câmara dos Deputados, também em 2005, por conta da condenação por homicídio. O ex-capitão acabou sendo absolvido do crime em novo julgamento.

3. Há ligação de Adriano com o caso Marielle?

Foram acusados pelo Ministério Público do Rio, pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, o policial reformado Ronnie Lessa, que é suspeito de ser o autor dos disparos, e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, suspeito de dirigir o carro.

A polícia apura se há relação de Lessa com uma quadrilha de assassinos da qual Adriano é suspeito de ser integrante.

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