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Quinta-feira, 11 de abril de 2024

Cidade

Vandalismo cresce em Salvador e exige gastos de mais de R$ 1 milhão dos cofres públicos

Aumento da vulnerabilidade social durante a pandemia é avaliado com um dos motivos para o crescimento das ocorrências

Vandalismo cresce em Salvador e exige gastos de mais de R$ 1 milhão dos cofres públicos

Foto: Divulgação/ Transalvador

Por: Luísa Carvalho no dia 19 de abril de 2023 às 12:22

Atualizado: no dia 24 de abril de 2023 às 14:17

Quem caminha pela orla da Barra, ponto turístico de Salvador, encontra buracos abertos em vários pontos da calçada de concreto e bueiros sem tampa. Do outro lado da cidade, na Avenida 29 de Março, em Cajazeiras, são recorrentes os casos de depredação a semáforos e roubo de cabos. A cidade passa por uma onda crescente de vandalismo, que tem custado aos cofres públicos mais de R$ 1 milhão.

Só de dispositivos de drenagem urbana, como tampas e grelhas de bueiros, 2.712 casos de furtos e vandalismo foram registrados em 2022, segundo levantamento feito pela Secretária de Manutenção da Cidade (Seman) a pedido do Metro1. O número é 38% maior que a quantidade de ocorrências do tipo em 2021, quando houve 1.959 episódios. Neste ano, 595 casos foram registrados. Para reparar os danos, entre 2021 e março de 2023, a Seman já gastou mais de R$ 382,9 mil.

A Transalvador (Superintendência de Trânsito) despende valores ainda maiores. Em 2022, apenas para recuperar os equipamentos semafóricos danificados por vândalos, a autarquia precisou desembolsar cerca de R$ 1,6 milhão. Durante o ano, mais de 90 intersecções foram vandalizadas em toda a cidade.  

O total trouxe um gasto 20% maior em comparação ao ano de 2021, equivalente a R$ 200 mil a mais. Por causa de depredações e roubos de cabos, a cidade precisa trocar um semáforo a cada quatro dias. 

Os cabos do metrô também estão entre os alvos. Em 2022, os casos de furto explodiram, com 534 ocorrências. Em 2021, haviam sido 126. Apenas entre janeiro e fevereiro deste ano, foram registrados 81 casos, segundo a CCR Metrô Bahia.

Causa e efeito

O furto de fiação é a principal ocorrência na cidade e afeta desde o trânsito à distribuição de energia. Os responsáveis por esse tipo de prática, segundo avalia Maurício Lima, Inspetor Geral da Guarda Civil Municipal de Salvador, costumam ser pessoas em contexto de vulnerabilidade social, como em situação de rua. O furto é realizado para a revenda dos cabos a receptadores. 

O motivo do aumento de episódios do tipo nos últimos dois anos estaria relacionado à crise social intensificada pelo período de pandemia. “Temos agora mais pessoas em alto nível de vulnerabilidade nas ruas, geralmente são elas que cometem esse tipo de delito”, avaliou o inspetor ao Metro1. Ele alegou que esse é um cenário que se repete em todo o país: “Não é exclusividade de Salvador”.

A Guarda Municipal tem agido para coibir casos, com foco na punição dos receptadores. Nos últimos três meses do ano passado, junto à Secretaria de Segurança Pública (SSP), Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Neoenergia Coelba e Transalvador, a guarda realizou ações de mapeamento e rastreio dos grupos responsáveis pela receptação.

A medida resultou na condução de suspeitos à Central de Flagrantes e no fechamento de imóveis pela Sedur. A guarda também lançou um número para denúncias da população. Para denunciar, disque: (71) 99623-4955.