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Arquiteta critica falta de diálogo sobre projetos urbanísticos de Salvador: \"Cidade do rei\"

Arquiteta e urbanista professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ana Fernandes acredita que uma das principais causas dos problemas urbanísticos enfrentados por Salvador é a falta de discussão acerca das obras realizadas na capital. [Leia mais...]

[Arquiteta critica falta de diálogo sobre projetos urbanísticos de Salvador: \
Foto : Jéssica Galvão/ Metropress

Por Luiza Leão no dia 13 de Novembro de 2017 ⋅ 18:48

Arquiteta e urbanista professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ana Fernandes acredita que uma das principais causas dos problemas urbanísticos enfrentados por Salvador é a falta de discussão acerca das obras realizadas na capital. \"As questões são pouco debatidas porque em grande parte das vezes as pessoas acreditam que a participação atrapalha a agilidade da obra\", justificou durante entrevista no Jornal da Cidade Segunda Edição, na Rádio Metrópole, na tarde desta segunda-feira (13).

\"No Brasil, você faz seis meses o projeto e passa 10 anos para executar porque ele foi mal debatido. Eu acho que a gente precisa implementar muito esse lado em nossa cidade, se você parte do princípio de que a cidade nao é de ninguém, ao mesmo tempo em que é de todo mundo, as coisas ficam à toa. É importante da gente debater mais\", acrescentou.

A entrevistada também falou sobre intervenções realizadas no Centro Histórico de Salvador, que carrega em si a memória da cidade. Para ela, é preciso compreender as complexidades da capital baiana, entendendo o seu miolo, não como uma cidade de extremos econômicos e culturais. \"Acho que Salvador não tem meio, só tem ponta. Ou tem uma ponta extremamente rica, com acesso a tudo o que se pode imaginar e de outro lado temos uma ponta pobre. Por isso a gente precisa ter o meio. A lojinha que vende o artesanato é tão importante como a existência de um banco. É necessário a gente compreender que a cidade não vive só de monopólio\", defendeu a arquiteta.

Voltando a defender as discussões mais amplas sobre as decisões dos governantes nas intervenções realizadas na capital, Ana Fernandes apontou a necessidade de concursos públicos para os projetos iniciais de obras não só em Salvador, mas em todo o Brasil, de modo a evitar a existência de ʹarquitetos do reiʹ. \"O concurso dá a possibilidade que se discuta o projeto. Há uma falta de cultura nesse processo de construção de uma cidade mais múltipla. Se você elege um arquiteto para construir a cidade inteira é praticamente a cidade do rei\", declarou.

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