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Escolas municipais reformadas acumulam rachaduras e vazamentos

Em novembro de 2017, a Escola Municipal Fonte do Capim, na Avenida San Martin, foi entregue com pompa e elegância pela Prefeitura de Salvador. Mas o momento de comemoração durou bem pouco: só até a primeira chuva [Leia mais...]

[Escolas municipais reformadas acumulam rachaduras e vazamentos ]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 26 de Abril de 2018 ⋅ 08:31

Em novembro de 2017, a Escola Municipal Fonte do Capim, na Avenida San Martin, foi entregue com pompa e elegância pela Prefeitura de Salvador. Na festa com fanfarra e coral musical, o prefeito ACM Neto (DEM) anunciou que R$ 2,1 milhões dos cofres municipais foram gastos para reconstruir a escola, que até então funcionava em uma estrutura pré-moldada.

Mas o momento de comemoração durou bem pouco: só até a primeira chuva. Após alguns milímetros de água, já deu para perceber que os milhões investidos na construção não impediriam a que a chuva escorresse pelas salas, alagasse o pátio e causasse inúmeros prejuízos a professores e alunos. “O teto está aberto e algumas salas estão infiltrando [água]. Quando chove enche a parte do jardim e do pátio”, contou um funcionário da instituição que preferiu não se identificar.

E a Escola Fonte do Capim não é a única a passar pelo problema. Um levantamento do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia mostra que várias escolas municipais reformadas ou até mesmo reconstruídas nos últimos anos, apresentam diversos problemas.

Banheiros alagados e acidentes: “Criança caindo o tempo todo”
Na última terça-feira, dia em que a chuva em Salvador nem foi das piores, o Jornal da Metrópole esteve na escola Fonte do Capim e encontrou o banheiro adaptado para alunos com necessidades especiais trancado por causa de um enorme vazamento de água. “O piso de toda a escola não é antiderrapante, escorrega demais quando está molhado. Banheiro, corredor, tudo. É criança caindo o tempo todo”, contou outro funcionário que também não quis se identificar. Nas salas de aula, manchas de água nas paredes e baldes nos corredores, que tentavam amenizar as goteiras.

“Se fosse bem construída resistiria”
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação, na Escola Municipal José Maria de Paula, na Ribeira, que passou por reparo há cerca de dois anos, a água tomou conta dos corredores que dão acesso as salas, como mostram registros feitos no início do mês.

“São reformas paliativas que não levam em consideração a época de chuvas em Salvador (…) São reformas feitas de forma afobada, apressada e que não resistem a esse índice pluviométrico. Eu posso afirmar que se fosse bem construída resistiria a essas chuvas”, analisa Rui Oliveira, presidente do Sindicato.

Unidades mais antigas, como a Escola Municipal Ulysses  Guimarães, também sofrem com problemas causados por infiltrações

Unidades mais antigas, como a Escola Municipal UlyssesGuimarães, também sofrem com a chuva

Secretário de Educação rebate críticas
Mas para o secretário de Educação do Município, Bruno Barral, as críticas do Sindicato dos Trabalhadores em Educação tem “cunho político”. Barral reconheceu que três escolas reformadas precisaram de reparo no período de um ano, mas defendeu que essas são situações pontuais. “As chuvas que estamos tendo são fortes. É natural, às vezes, você ter um processo de uma obra que precise passar por um acionamento de garantia. Mas eram casos pontuais”, disse. Segundo o secretário, o período de garantia é o prazo dado pelas construtoras para reparos sem custo.

No caso da escola Fonte do Capim, segundo Barral, a empresa responsável pela obra fará os reparos em breve. “Não é um problema estrutural, é um problema pontual. Telhado, por conta da chuva, mas são coisas pequenas”, reafirmou.

Na Escola Municipal 22 de Abril, a água escorre pelas paredes. Segundo professores, a unidade ainda está em reforma

 

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