Cidade

Mães defendem alunos do Antônio Vieira após escândalo: 'Quem não fez o mesmo, que atire a primeira pedra'

Estudantes do terceiro ano envolvidos no caso foram excluídos e não vão participar da solenidade de formatura

[Mães defendem alunos do Antônio Vieira após escândalo: 'Quem não fez o mesmo, que atire a primeira pedra']
Foto : Reprodução/Facebook

Por Matheus Simoni no dia 13 de Novembro de 2018 ⋅ 09:38

Após o escândalo envolvendo a divulgação de mensagens em um grupo de estudantes do Colégio Antônio Vieira, mães dos alunos publicaram uma carta pedindo que a instituição reveja as penas que foram aplicadas. Conforme apurou o Metro1, parte dos alunos não terá a matrícula renovada.

Estudantes do terceiro ano envolvidos no caso foram excluídos e não vão participar da solenidade de formatura. No documento, as mães reclamam da postura do colégio e afirmaram que os jovens "não tinham noção" da dimensão do que diziam.

"Esses jovens, em formação, tiveram prints de suas conversas do grupo vazados, propositadamente, com o intuito de prejudicá-los (se fosse para educá-los seria mantido no âmbito da escola) e estão sendo submetidos a um julgamento público, cruel e, principalmente, utilizados como 'bode expiatório' por uma imprensa sensacionalista que, a título de ampliar seus níveis de audiência, instiga o ódio político partidário por se tratar de alunos de escola particular ditos de 'direita'", escrevem as mães.

Contatada pelo Metro1, a assessoria do Vieira afirmou que não iria se manifestar sobre o caso e se limitou a dizer que "já está aplicando as medidas educativas pertinentes". "No entanto, firmados numa ética do cuidado para com todos os envolvidos, entendemos que as decisões tomadas referem-se exclusivamente ao âmbito interno da nossa instituição", declara o colégio.

Confira a carta na íntegra:

Salvador, 12 de novembro de 2018

Colégio Antônio Vieira

Ilustríssima Senhora Diretora e Conselho Acadêmico

Na qualidade de Pais e alguns Ex-Alunos dessa conceituada instituição de ensino, apresentamos o presente MANIFESTO, o que fazemos nos seguintes termos:

De início, divergimos do posicionamento adotado pelo CAV, no tocante a exclusão de alguns alunos da festa de formatura do 3º. Ano e proibição da renovação matrículas para o ano letivo de 2019 de outros, em flagrante dissonância com os ensinamentos cristãos de amor, acolhimento e perdão.

Nessa linha, APELAMOS para o bom senso desta digna e centenária Instituição de Ensino, a fim de que seja RECONSIDERADA a decisão adotada, face os pontos abaixo descritos:

  1. Temos jovens de 14 à 17 anos, que reproduziram, em um GRUPO FECHADO de whatsapp, um discurso de ódio, que eles viram em políticos, celebridades, parentes adultos e na sociedade de forma ampla;

  1. Esses adolescentes, obviamente, não tinham noção da dimensão do que diziam, “blefes” de adolescência, uma forma de auto afirmação típica da idade, exatamente, para chamar atenção, chocar, posar “do contra” dentro de um grupo de colegas, os quais não chegaram nem perto de sequer levar essa ameaça à um nível mais sério. E, quem não fez o mesmo na adolescência, que atire a primeira pedra. Sendo, a sorte dos adolescentes daquela época, justamente, a inexistência de redes sociais, em especial, WhatsApp ;

  1. Esses jovens, em formação, tiveram prints de suas conversas do grupo vazados, propositadamente, com o intuito de prejudicá-los ( se fosse para educá-los seria mantido no âmbito da escola) e estão sendo submetidos a um julgamento público, cruel e, principalmente, utilizados como “bode expiatório” por uma imprensa sensacionalista que, a título de ampliar seus níveis de audiência, instiga o ódio político partidário por se tratar de alunos de escola particular ditos de “direita”;

Isso seria justiça ou revanche? Talvez, e provavelmente, esses adolescentes, pela falta de maturidade, contaminados pela polarização política pre eleição, possam não ter realmente a noção da gravidades das colocações e precisem aprender mais sobre o mundo. Entretanto, não são criminosos, tiveram sua formação escolar no CAV desde remota idade, boa índole, queridos pelos colegas e não merecem ser tratados dessa forma, julgados por um fato pontual, sem levar em consideração o contexto temporal dos acontecimentos externos e internos.

Entendemos que eles devam receber uma repreensão, mas dentro de um critério de proporcionalidade e razoabilidade do que realmente fizeram. De fato, foram mensagens negativas, todavia produzidas por menores em um grupo FECHADO, nada mais que isso. Não chegaram, nem perto, de levar essa suposta ameaça a um nível mais relevante.

Face ao exposto, acreditando que o diálogo e o bom senso prevaleçam, que sejamos mensageiros da paz e da harmonia, apelamos pela defesa da proporcionalidade e da razoabilidade das punições, pautados nos ensinamentos Inacianos, por se tratar do fechamento de um ciclo desses jovens (não simplesmente uma festa de formatura) e a continuidade dos estudos junto a seus colegas, que levem a reflexão, arrependimento e mudança de atitude, a fim de evitarmos a implantação da INJUSTIÇA e de possível sensação de remorso futuro.

Pedimos deferimento.

 

Notícias relacionadas