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Bar que ‘homenageia’ vereador na Ribeira está registrado em nome de assessor

João Paulo Andrade Lisboa de Britto é assessor de Vado Malassombrado na Câmara Municipal e recebe quase R$ 9 mil mensais

[Bar que ‘homenageia’ vereador na Ribeira está registrado em nome de assessor]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Alexandre Galvão no dia 01 de Agosto de 2019 ⋅ 08:00

Revitalizada, após obra da prefeitura de Salvador, a praça Dodô e Osmar, na Ribeira, ganhou um equipamento que destoa de tudo que foi instalado no local. A “Torre do Malassombrado”, um bar com ares de cacete armado, foi incorporado ao local. Lá, além de bebidas e som alto, há ainda lonas de plástico preto e pedaços de madeira que dão sustentação ao que mais parece uma oca feita de lixo. 

Não bastasse a degradação visual, o local contava ainda com um “acesso” à praia. O “píer” foi batizado de “praia do Malassombrado” e resistiu até a última investida da Secretaria Municipal de Urbanismo, que retirou o armengue que dava na água.

Apesar do cenário de lixão em decomposição, a prefeitura de Salvador não viu empecilhos de licenciar o local, que leva o nome do suplente de vereador Vado Malassombrado (DEM). O “mal assombrado” está no exercício do cargo com a saída do titular da cadeira, Claudio Tinoco, que responde pela secretaria de Turismo e Cultura da capital. 

Documentos encaminhados ao Metro1, mostram que o então secretário de Turismo da capital, Érico Mendonça, notificou em 2013 a concessionária Salvador Kiosk e Turismo LTDA para que a liberação da área fosse concedida. Após o pedido, a área pública perdeu alguns metros e um bar foi instalado. O documento mostra ainda que não há nenhum extintor instalado, nem para fogo em material inflamável e, muito menos, para material químico. Se pegar fogo, pegou. 

Apesar de toda alusão ao vereador, o bar está registrado em nome de João Paulo Andrade Lisboa de Britto. Britto, segundo dados da Câmara Municipal de Salvador, é funcionário do gabinete de Malassombrado. Pelos serviços prestados, embolsa a gorda quantia de quase R$ 9 mil por mês. Mesmo com todas as evidências, garante o vereador, ele foi apenas “homenageado” com o nome no estabelecimento. Com toda polêmica, Vado disse que pretende virar sócio do bar. “Toda hora falam que é meu. Vou pedir logo”, disse, em tom de brincadeira. 

Procurado pelo Jornal da Metrópole, o vereador debochou. Disse que o bar estava “bombando, graças a Deus”, mas negou que seja o proprietário do espaço. “Eu não tenho bar. O nome é alusivo a mima, colocado em minha homenagem. Não é diferente de um conjunto habitacional que batizaram de Conjunto Malassombrado”, afirmou. 

O vereador, que tem atuação bastante acanhada na Câmara Municipal de Salvador, disse estar contente com as matérias negativas sobre o local. “É bom que não me conhece, passa a saber quem é o Malassombrado”. “Meu trabalho não é bar, é de vereança. Vou pedir até pra ser sócio [do bar]. Ele é de dr. João Paulo, meu amigo de infância”, garante. Amigo que, como mostram os registros da CMS, ganha quase R$ 9 mil por mês. 

Perguntado se, como vereador, concorda com um bar em praça pública, Malassombrado desconversou. “Aí você tem que questionar o Executivo. Se vier para fortalecer o comércio, tudo é ótimo. Mas o que está acontecendo é politicagem. Pode colocar meu nome bem grande matéria. Vocês estão tentando atingir uma pessoa do guetto”, protestou.

Leia essa e outras matérias no Jornal da Metrópole desta semana. 

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