Cidade

Cliente negra relata 'tratamento diferenciado' em loja da Kalunga em Salvador

Caso de constrangimento é o segundo registrado em unidades da rede de papelaria, em menos de uma semana

[Cliente negra relata 'tratamento diferenciado' em loja da Kalunga em Salvador]
Foto : Reprodução / Instagram

Por Juliana Rodrigues no dia 21 de Novembro de 2019 ⋅ 09:51

Um novo caso de constrangimento foi registrado em uma unidade da rede de papelaria e informática Kalunga, em Salvador, ontem (20). A educadora física Josenice Rodriguez, de 50 anos, relatou, por meio das redes sociais, ter sido vítima de racismo ao tentar realizar a troca de um produto na loja do Shopping da Bahia.

"Me dirigi ao setor, me apresentei e reportei o fato. Desde o primeiro argumento eu fui descreditada pela gerente Aorizete, ela me tratou com sarcasmo e desdém na frente dos funcionários e de meu filho... Me senti humilhada e constrangida, pois eu sou mãe de família e nunca iria mentir sobre qualquer motivo pra ter vantagem, eu apenas solicitei que fosse feita a troca por outro item, com valor até maior, e a gerente fez comentário me ridicularizando perante os presentes", escreveu.

Segundo Josenice, durante a realização dos testes necessários para fazer a troca do produto, a gerente teria agido de forma "diferenciada" com clientes de pele branca. "Ao final da troca, a gerente chegou ao ponto de nem olhar pra mim que estava junto com o meu filho, e se dirigiu apenas para ele, me isolando completamente do ambiente", escreveu.

Na manhã de hoje (21), em contato com a Rádio Metrópole, Josenice afirmou que comprou um fone de ouvido na noite de terça (19) e foi realizar a troca por ter percebido um defeito no som. "Na loja que a gente comprou, não tem a placa dizendo que não pode abrir embalagem. Eles disseram que era para levar para casa e que eles trocariam se tivesse qualquer problema", relatou.

Por meio das redes sociais, a Kalunga pediu desculpas a Josenice pelo ocorrido e afirmou ter entrado em contato para saber mais detalhes sobre o caso.

No último domingo (17), uma mulher relatou, também por meio das redes sociais, ter sido vítima de constrangimento em outra unidade da Kalunga, no Shopping Paralela (relembre).

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Boa noite! Vim aqui reportar minha indignação e constrangimento que acabei de sofrer na loja Kalunga do Shopping da Bahia (Salvador). Fui realizar uma simples troca de produto, me dirigi ao setor, me apresentei e reportei o fato. Desde o primeiro argumento eu fui, descreditada pela Gerente Aorizete, ela me tratou com sarcasmo e desdém na frente dos funcionários e de meu filho... Me senti humilhada e constrangida, pois eu sou mãe de família e nunca iria mentir sobre qualquer motivo pra ter vantagem, eu apenas solicitei que fosse feita a troca por outro item, com valor até maior, e a Gerente fez comentário me ridicularizando perante os presentes! Eu fui humilhada sem motivo nenhum, apenas pelo prazer pessoal em me destratar como insignificante, por ser negra!! ? E minha revolta se agrava mais ainda, pois durante a realização dos testes que ela obrigou que fosse feito no produto, eu pude observar o TRATAMENTO DIFERENCIADO que a mesma Gerente deu aos clientes de cor branca! Eu chorei ?por dentro de ódio em saber que isso é RECORRENTE na sociedade!! Ao final da troca a Gerente chegou ao ponto de nem olhar pra mim que estava junto com o meu filho, e se dirigiu apenas para ele, me isolando completamente do ambiente !! Foi muito triste passar por isso hoje à noite, pois estava apenas realizando um direito do consumidor em trocar um produto de péssima qualidade. Eu juro que não imaginaria que fosse tratada dessa maneira racista, bem no dia da CONSCIÊNCIA NEGRA! E na presença de meu filho que segurou minha mão com a extensão de dor. Eu realmente só pude fazer o meu papel que é denunciar esse ato covarde e primitivo. Sou Professora de Ed. Física, tenho 50 anos. E sempre acredito que podemos melhorar como pessoa!! Eu chorei assim que sair da loja pois não iria dar esse gosto pra aquela criatura nefasta. Vim jogar na rede social da loja Kalunga, pois acredito que essa não seja política da loja, onde sempre fui muito bem tratada. Temos que denunciar toda forma de “preconceito” eu sou feliz e minha cor é linda?

Uma publicação compartilhada por Jô Pit - Personal Trainer (@jopitpersonaltrainer) em

Notícias relacionadas