Editorial
MK vê retorno do autoritarismo e crítica destaque ‘humorístico’ de Cury na disputa presidencial

Mário Kertész relembrou, durante o Jornal da Metropole no Ar desta sexta-feira (11), os episódios de 1973 e 2001 para discutir influência dos Estados Unidos e pressão sobre o Brasil às vésperas da eleição presidencial

Foto: Reprodução/YouTube
O 11 de setembro carrega duas marcas históricas que, para Mário Kertész, ajudam a pensar os riscos do presente: o golpe militar que derrubou Salvador Allende no Chile, em 1973, e, 28 anos depois, os ataques às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos. No Jornal da Metropole no Ar desta sexta-feira (11), o comunicador retomou principalmente o golpe chileno, a influência dos EUA na derrubada de Allende e a ditadura instaurada no Brasil em 1964 para alertar que a história pode se repetir sob novas circunstâncias. A partir disso, MK também relacionou o passado de intervenções norte-americanas na América Latina à pressão do governo de Donald Trump sobre o Brasil às vésperas das eleições.
“Em 11 de setembro de 1973, o general Augusto Pinochet derrubou o governo eleito constitucionalmente de Salvador Allende motivado pelos Estados Unidos da América do Norte, esse mesmo que hoje tenta interferir na eleição brasileira. Meu irmão Eduardo morou lá há algum tempo, fui várias vezes lá. A CIA e organizações americanas tiraram cigarro, você não podia comprar cigarro, uma madeira e foram derrubando, derrubando a economia até que aquele que era considerado o exército mais constitucionalmente garantido avança com aviões em cima do palácio presidencial obrigando Salvador Allende de suicidar-se”, disse MK.
O golpe chileno ocorreu em meio a uma série de ações de pressão e interferência dos Estados Unidos contra o governo de Allende. Documentos registram financiamento de grupos de oposição, propaganda e medidas de pressão econômica, embora os registros norte-americanos não assumam uma participação direta dos EUA na execução do golpe. Para MK, a lembrança do episódio também remete à ditadura brasileira instaurada em 1964 e ao papel atribuído por ele à influência norte-americana naquele período.
“O que é que tem isso com a gente? Tudo! Nós já estávamos numa ditadura cruel instigada pelos Estados Unidos através do embaixador Lincoln Gordon e do coronel Vernon Walters. Para quê? Defender o Brasil do comunismo, como se João Goulart, presidente constitucionalmente eleito, fosse levar o Brasil ao comunismo. E o que é que nos traz hoje aqui? A tentativa de interferência cada dia mais clara do governo de Donald Trump, Marco Rubio e companhia limitada nas eleições que nós vamos ter daqui a 23 dias”, explicou.
Ao aproximar os episódios históricos do cenário atual, Kertész citou as disputas envolvendo o Brasil, os Estados Unidos e a eleição de 2026. O governo Trump adotou medidas de pressão comercial contra produtos brasileiros e, em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, autoridades norte-americanas passaram a discutir novas sanções contra integrantes da Corte. MK avalia que os interesses norte-americanos também passam pela posição estratégica do Brasil, pela Amazônia, pelas terras raras e pela aproximação do país com China, Índia e Rússia.
“Por quê que no desfile de 7 de setembro tinha um boneco gigante de Donald Trump, bandeiras dos Estados Unidos e de Israel? É isso que é o Brasil? Pois é. Naquela época já era ditadura o Brasil, já era ditadura o Uruguai, já era ditadura a Argentina, toda essa sanguinária, e que não resolveram nada, nem melhoraram em nada a vida do povo. Então é bom que a gente se lembre. Nessa data também se comemora, se lembra, daquela coisa violenta, cruel, inaceitável do ataque às torres gêmeas. Uma reação contra o imperialismo americano, terrível, sob todos os aspectos. A partir daí a vida de todo mundo mudou, inclusive aqui do Brasil, de qualquer lugar do mundo, em vários aspectos, viagens, segurança, etc”, concluiu Mário Kertész.
Confira a fala na íntegra:
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