
Editorial
MK critica excesso de honrarias na Alba e aponta desvio de função: “uma casa de festas”
Durante o Jornal da Metropole no Ar desta quinta-feira (9), Mário Kertész criticou o funcionamento da Assembleia Legislativa da Bahia e disse que a Casa se afastou de sua função política para se transformar em espaço de homenagens, solenidades e ações de vitrine

Foto: Reprodução/YouTube
Ao comentar o funcionamento da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), o radialista Mário Kertész apontou, durante o Jornal da Metropole no Ar desta quinta-feira (9), que a instituição é cara, esvaziada de função política e cada vez mais voltada a cerimônias, homenagens e ações que, segundo ele, pouco têm a ver com o papel de deputados estaduais. Embora tenha destacado como simbólica a eleição da primeira mulher para a presidência da Alba, ele afirmou que isso, por si só, não altera o problema estrutural da instituição.
“Eu gostei muito de saber que pela primeira vez nós temos uma mulher presidente da Assembleia, deputada Ivana. Isso eu acho que é um fato relevante. Ponto. E acaba aí. Acaba aí. Nada mais do que isso. A Assembleia custa muito dinheiro ao povo baiano. E eu vejo ela agora só concedendo medalhas, honrarias. Cada uma acompanhada de festas, de fotos, de divulgação. Eu acho isso um horror”, afirmou.
Na avaliação de MK, porém, a Casa tem se afastado dessa função e se aproximado de uma lógica de autopromoção. Como exemplo, ele citou o excesso de títulos, medalhas e solenidades, além de ações paralelas que, para ele, distorcem a missão institucional do parlamento baiano.
“Chegaram ao ponto já, tem uns dois anos, de me dar uma medalha dessa. Eu disse ‘não vou receber. Eu não vou receber’. Porque a imagem que eu tenho dessa Assembleia cara, custosa, não é nada boa. E não é uma coisa pessoal contra o presidente, pelo contrário. Mas é contra a instituição, inclusive, com a direção dela”, disse. Em seguida, MK relembrou ainda a criação da chamada “Assembleia do Carinho”, projeto que já foi capitaneado por familiares de parlamentares e que, para ele, simboliza a confusão entre ação pública, afeto performático e marketing político.
Ao aprofundar a crítica, o jornalista afirmou que esse tipo de iniciativa ajuda a desfigurar o papel do Legislativo e transforma uma estrutura bancada com dinheiro público em espaço de celebração e aparências. Ele também criticou a permanência desse modelo ao longo de diferentes gestões e sugeriu que a instituição perdeu densidade política e capacidade real de debate, ao substituir enfrentamento de temas centrais por gestos simbólicos e eventos de vitrine.
“Eu me lembro quando o Ângelo Coronel, presidente da Assembleia, criou a ‘Assembleia do Carinho’. Revoltante. A esposa dele, então, era presidente dessa Assembleia do Carinho, que supostamente ajudava. Isso não é papel da Assembleia Legislativa. Não é para isso que votamos em deputados estaduais. [...] Então hoje eu tenho pena de ver uma instituição que já foi esforçada. Mesmo eu secretário de Planejamento, em pleno regime militar, ia lá na Assembleia discutir com deputado por objeto do interesse do governo. Agora não. É uma casa de festas. Festas e carinho. Ridículo”, concluiu.
Confira o comentário na íntegra:
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