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MK vê STF como "corte do Brasil de hoje" e questiona interesses por trás do caso Master

Editorial

MK vê STF como "corte do Brasil de hoje" e questiona interesses por trás do caso Master

Mário Kertész analisou os embates entre ministros, o pedido de vista de Flávio Dino e a tentativa de vincular o caso ao governo Lula

MK vê STF como "corte do Brasil de hoje" e questiona interesses por trás do caso Master

Foto: Reprodução/YouTube

Por: Metro1 no dia 16 de setembro de 2026 às 08:39

Atualizado: no dia 16 de setembro de 2026 às 09:10

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15), marcada por bate-boca, acusações e divergências entre ministros, foi, para Mário Kertész, mais do que um episódio de conflito dentro da Corte: um retrato do próprio Brasil e dos interesses que atravessam o país às vésperas da eleição. No Bom Dia na Metropole desta quarta-feira (16), o comunicador afirmou que o caso Banco Master passou a ocupar um espaço central nessa disputa e questionou a tentativa de colocar o escândalo no colo do governo Lula, a 19 dias do primeiro turno. Para MK, o que ocorreu no plenário expôs a dimensão política da crise e mostrou um Supremo distante da imagem de neutralidade que costuma projetar.

“Assistimos ontem, horrorizados, o Supremo Tribunal Federal. Tudo o que podia acontecer, ou quase tudo aconteceu. Aí eu pergunto, devemos ficar horrorizados mesmo, ou será uma hipocrisia brutal da gente achar que o Brasil está dividido em guerras não explícitas e algumas explícitas através da violência? Que a nossa Suprema Corte, grandes juristas, advogados, homens inteligentes que defendem o Brasil acima de tudo. Hipocrisia, mentira. Ali é o corte do Brasil de hoje. Os interesses de grupos ali. Alguns muitos legítimos, outros nem um pouco legítimos”, apontou.

A sessão analisava o relatório da Polícia Federal sobre mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e também discutiu se o caso de Moraes deveria ser analisado junto ao processo envolvendo André Mendonça. Gilmar Mendes e outros ministros defenderam a reunião dos casos, enquanto Fachin, Mendonça, Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação. Flávio Dino pediu vista e suspendeu a conclusão do julgamento.

“E eu acho graça é que a tentativa dos bolsonaristas é jogar tudo pra cima do governo do Presidente Lula. Que teve o que com essa história do Master? Nada. Mas é isso mesmo, a nossa elite, a classe média que não é elite, mas é puxa saco de elite, acha que é isso mesmo [...] Não venha aqui com a hipocrisia de achar que o Supremo Tribunal do Brasil hoje se comportaria como a Suprema Corte da França, dos Estados Unidos ou da Alemanha. Não. Isso é hipocrisia. O que nós vimos ontem foi o exemplo nítido, claro, do Brasil, acostumado com o bacharelismo, com aquela linguagem emproada. Ontem sairam foi na porrada, só não teve física”, disse.

Na avaliação de MK, a disputa evidencia o uso do poder para afetar as eleições. Ele questionou a tentativa de atribuir ao governo Lula responsabilidade pelo que o Banco Master se tornou e lembrou que a autorização para a instituição atuar como banco ocorreu no Banco Central durante o governo Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, citou relações de diferentes grupos políticos com o caso e defendeu que os envolvidos sejam identificados, sem esconder eventuais conexões.

“Mas, veja bem, os grandes negócios do Master foram feitos com quem? Com o Dark Horse de Flávio Bolsonaro. Com o Ciro Nogueira. Com, agora, ontem surgiram, claro, que todos negam, o filho de Kássio Nunes, presidente, inclusive, do Tribunal Superior Eleitoral. Luiz Fux, André Mendonça. E aí?”, questionou.

Kertész também criticou a condução da sessão por Edson Fachin e considerou que o presidente do STF deveria ter sido mais firme diante dos confrontos. A avaliação ocorre após uma sessão em que Moraes e Mendonça trocaram acusações, enquanto ministros divergiram sobre a condução dos processos e sobre a reunião dos casos. Dino, por sua vez, sustentou que o julgamento deveria ser suspenso, posição que levou à interrupção da análise.

Ao ampliar a análise para a trajetória política recente do país, MK relacionou a crise atual ao processo iniciado nas manifestações de 2013, à queda de Dilma Rousseff, à ascensão de Jair Bolsonaro e ao fortalecimento do Congresso. Para ele, esse processo também ajuda a explicar o cenário atual do STF. “Isso tudo começou, na realidade, quando o Brasil se permitiu eleger um operário semi-analfabeto presidente da República, que fez um bom governo, a economia ajudou e tal [...] E dali, a direita se mostrou, veio, entrou pesada, derrubou Dilma da forma mais canalha. Entra Michel Temer, abre o caminho com a Lava Jato, que é uma vergonha para esse país. Elege Bolsonaro, e estamos aí. O Congresso mandando mais no país do que em qualquer coisa. E como isso não teria reflexo no Supremo Tribunal Federal?”, concluiu MK.

Confira a fala na íntegra: