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MK reage a jornalista que chamou Bahia de 'câncer': "violência contra cada um de nós"

Editorial

MK reage a jornalista que chamou Bahia de 'câncer': "violência contra cada um de nós"

Comunicador criticou declaração de Rodrigo Constantino, que chamou a Bahia de “câncer do Brasil” e Salvador de “lixo”

MK reage a jornalista que chamou Bahia de 'câncer': "violência contra cada um de nós"

Foto: Reprodução/YouTube

Por: Metro1 no dia 08 de outubro de 2026 às 08:36

Atualizado: no dia 08 de outubro de 2026 às 10:09

A declaração de Rodrigo Constantino, que chamou a Bahia de “câncer do Brasil” e Salvador de “lixo”, foi criticada por Mário Kertész nesta quinta-feira (8). No Bom Dia na Metropole, o comunicador afirmou que a fala não pode ser analisada apenas como uma opinião isolada, mas dentro do ambiente político criado pelo resultado do primeiro turno e pelo avanço da extrema-direita. Para MK, o ataque contra a Bahia também representa uma tentativa de desqualificar um estado que, historicamente, mantém forte apoio ao campo político contrário ao grupo defendido por Constantino.

“Eu quero saber, você que tá ouvindo a gente, independente da sua oposição política, você se acha uma vergonha pro Brasil? Você se acha que a sua terra é um câncer? Que nós não somos importantes? Que a independência do Brasil não passou por aqui? É aqui que se constrói o melhor da civilização brasileira, com uma mistura de indígenas, africanos, negros, escravizados, brancos”, questionou MK.

A origem da polêmica

A declaração de Constantino ocorreu após o primeiro turno das eleições, em que o PT manteve o governo da Bahia com a vitória de Jerônimo Rodrigues e também conquistou as duas vagas do estado no Senado. Lula ainda terminou a primeira etapa da disputa presidencial com ampla vantagem sobre Flávio Bolsonaro na Bahia.

Em outro momento, chamou Salvador de “lixo” e afirmou que “ninguém na Bahia quer trabalhar”. Também apontou que “baianos são uma vergonha para o Brasil”. Para MK, o episódio ganha peso justamente por ocorrer às vésperas do segundo turno e em um momento em que a disputa política ultrapassa a escolha entre dois candidatos. 

“Esse cidadão, o Rodrigo Constantino, que é da extrema-direita, que apoia a miliciano, que apoia Flávio Bolsonaro [...] ele não fala de mim, não fala de Kamille, de Aragão, de Marcos Meira, não fala de Jerônimo, não, ele fala da Bahia, da Bahia, o primeiro estado do Brasil”, afirmou MK.

Disputa política

Na avaliação do comunicador, a repercussão da fala também precisa ser entendida a partir da relação entre o resultado eleitoral da Bahia e os grupos políticos que disputam o segundo turno. MK lembrou que o PT não perde uma eleição para o governo estadual há duas décadas e relacionou a reação de Constantino ao resultado obtido pelo partido no estado. Também citou a derrota de ACM Neto para Jerônimo Rodrigues e o apoio de políticos baianos à candidatura de Flávio Bolsonaro. “O fato dessa declaração não é uma coisa à toa. O PT há 20 anos não perde eleição na Bahia e isso deixa muita gente irritada", explicou MK.

MK também disse que a disputa até o segundo turno deve ser acompanhada a partir das propostas e dos grupos políticos envolvidos. Ao citar uma avaliação publicada pelo Estadão sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, afirmou que existe o risco de levar “milicianos” para o alto escalão do poder da República e defendeu que o eleitor conheça os diferentes lados da disputa antes de votar.

“E aqui eu vou ouvir gente que vai defender Flávio Bolsonaro, a gente não vai ficar só com uma coisa. Mas é preciso que vocês saibam o que pode acontecer. Tem um outro vídeo meu, em que eu li um trecho do editorial do jornal mais conservador, o Estadão, que dizia que ao eleger Flávio Bolsonaro, corremos o risco de levar para o mais alto escalão do poder da república os milícianos. Pronto. Não fui eu que falou. Foi o Estado de São Paulo, o jornal conservador”, apontou.

Ao retomar diretamente o ataque contra os baianos, MK afirmou que a declaração não deve, de maneira alguma, ser tratada apenas como uma provocação pessoal. Para ele, o discurso expõe uma forma de atuação política baseada na desqualificação de quem vive em um estado que não compartilha das mesmas escolhas eleitorais. 

“Então, daqui até o dia 25, nós vamos trabalhar mostrando o lado de Flávio também, e você vai decidir, inclusive a respeito. A pergunta agora é o seguinte, você acha que a Bahia é um câncer? Você acha que Salvador é um lixo? Você acha que o nosso povo é só preguiçoso?”, questionou.

Violência

Para MK, a reação provocada pela fala mostra que o problema ultrapassa a divergência entre esquerda e direita. Ele classificou o episódio como uma violência contra os baianos e afirmou que Constantino, ao lado de outros nomes associados à extrema-direita, representaria um projeto político que pretende rever avanços sociais e de costumes. A crítica, portanto, foi ampliada para além da declaração sobre a Bahia e colocada dentro da disputa sobre o futuro político do país.

“Rapaz, isso é de uma violência. É uma violência contra cada um de nós. E é isso que você quer? É? Ah, se é, sim. Seja. Continue. Vá. Siga. [...] ele é a síntese do que é a projeto da extrema-direita para o brasil, é isso que estou colocando. Ele é a síntese junco com Paulo Figueiredo, com Eduardo Bolsonaro, com Flávio Bolsonaro e outros”, concluiu.

Confira o editorial na íntegra: