Editorial

MK critica corte em orçamento de universidades e compara Bolsonaro a Jânio; ouça

"Em qualquer lugar do mundo, a universidade é o lugar do pensamento livre. Qualquer tipo de pensamento", disse, em comentário na Rádio Metrópole

[MK critica corte em orçamento de universidades e compara Bolsonaro a Jânio; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 02 de Maio de 2019 ⋅ 08:50

As decisões ideológicas do governo de Jair Bolsonaro sobre a educação foram o principal assunto do comentário de Mário Kertész, na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (02). MK condenou as medidas tomadas pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, a exemplo do corte de 30% do orçamento, anunciado inicialmente para instituições federais de ensino que promovessem "balbúrdia" - caso da Universidade Federal da Bahia (Ufba), segundo o titular da pasta - e posteriormente estendido a todas as unidades.

"Primeiro ele disse que estava suspendendo porque eram universidades que permitiam balbúrdia, agora, o que é balbúrdia para um ministro de um governo que se diz sério, cortar 30% da educação? (...) Invasão de sem terra, gente nua... Onde é que a gente viu isso? Onde é que você vê, aqui na Universidade Federal da Bahia? O que você vê é liberdade e autonomia. (...) Em qualquer lugar do mundo, a universidade é o lugar do pensamento livre. Qualquer tipo de pensamento e todo tipo de pensamento. Os estudantes das universidades vão ter, provavelmente, que usar fardas, corte de cabelo militar e comportamento absolutamente estruturado segundo as melhores normas da família brasileira", disse Kertész.

Para MK, a postura ideológica do governo Bolsonaro guarda semelhanças com as atitudes de Jânio Quadros, presidente brasileiro que renunciou em 1960, após poucos meses de governo. "Jânio Quadros chegou com essa coisa da moralidade. Proibiu biquíni em desfiles de miss, veja se isso é atribuição do presidente da República? Mas aqui a gente vê o presidente da República se meter no comercial do Banco do Brasil, e quando admoestado por um ministro dele, de que ele não podia fazer porque é uma sociedade de economia mista, que tem acionistas privados, ele vira e diz 'todo mundo sabe que eu sou armamentista. Ministro meu que estiver a favor, ótimo. Quem não estiver, fique calado'. A ordem é essa", analisou.

No entanto, para Kertész, as ações do governo não deveriam causar surpresa, já que estão em consonância com tudo que Bolsonaro anunciou durante a campanha. "A gente pode dizer que isso é novidade? Não, eu não posso. Talvez muita gente que tenha votado em Bolsonaro para não votar no PT esteja surpresa. Pode ser que não, pode ser que muita gente esteja adorando, porque podem achar que o Brasil precisava de um freio de arrumação", disse.

MK ainda comentou a situação da Venezuela, o aumento do índice de desemprego no país e a morte da cantora Beth Carvalho.

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