Editorial

Medida para permitir empresas estrangeiras em licitações é 'colonização', diz MK; ouça

"Você acaba não tendo tecnologia própria, você acaba não tendo a receita principal retida no país, porque o grande lucro vai para o país de origem", afirmou

[Medida para permitir empresas estrangeiras em licitações é 'colonização', diz MK; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 07 de Fevereiro de 2020 ⋅ 08:51

A proposta do governo para facilitar a participação de empresas estrangeiras em licitações foi o principal assunto do comentário de Mário Kertész, hoje (7), na Rádio Metrópole. MK lembrou dos impactos sofridos pelas empresas brasileiras na Operação Lava Jato e alertou para o fato de que, no novo modelo previsto, o Brasil não ficará com o lucro, nem com os empregos gerados por essas obras.

"Aí vem aquela velha discussão de que a Lava Jato foi muito importante, colocou muita gente na cadeia para pagar pelos erros cometidos, mas que não seria necessário acabar com empresas que representavam anos e anos de tecnologia, experiência e trabalho sério. (...) E o governo agora quer empresas estrangeiras, ou seja, daqui a pouco, se não fosse o coronavírus, que vai atrasar um pouco isso, nós estaríamos cheios de chineses trabalhando. Eles fazem as obras rápidas, bem feitas, a um custo bem razoável... Mas é a velha colonização, porque você acaba não tendo tecnologia própria, você acaba não tendo a receita principal retida no país, porque o grande lucro vai para o país de origem. E é o que estamos assistindo aqui", disse.

MK ainda afirmou que considera "muito perigosa" a fase de "desnacionalização" pela qual o país passa. "Passamos muitos anos para desenvolver empresas, empresários, tecnologias, médicos, engenheiros, advogados, todos que inclusive chegaram a exportar serviços para vários outros países do mundo, como os EUA. E de repente meteram os pés pelas mãos, cometeram vários ilícitos, tinham que ser penalizados e foram, mas as empresas teriam que ir também? (...) É o que nós vamos ver e já estamos começando a ver aqui no Brasil, ainda mais com essa dependência e subserviência brasileira ao governo americano de Donald Trump. Tem gente que gosta, tem gente que não está percebendo, que acha que esse é o caminho", analisou.

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