Editorial

'Estamos nos tornando insensíveis às mortes', diz MK sobre vítimas da pandemia; ouça

"A gente só vai participar ativamente na ajuda pra passar esse período, se a gente sentir que a cada ser humano que cai, um pedaço da gente também vai", afirmou, em comentário na Rádio Metrópole

['Estamos nos tornando insensíveis às mortes', diz MK sobre vítimas da pandemia; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 07 de Maio de 2020 ⋅ 09:13

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (7), Mário Kertész ressaltou a importância de se preservar a sensibilidade no atual momento da pandemia de coronavírus. O número de mortes por Covid-19 no país vem batendo recordes dia após dia: só ontem (6), foram 615, segundo balanço do Ministério da Saúde. Nesse contexto difícil, MK avalia que não se deve criar uma "capa protetora de insensibilidade", a exemplo do que faz o presidente Jair Bolsonaro, e sim praticar a empatia.

"O Jornal Nacional ontem começou com William Bonner falando uma coisa que me tocou, que é como esse número de mortes cada vez maior está tornando todos nós insensíveis à morte. A morte só está nos tocando quando é de alguém conhecido, famoso ou próximo da gente. Fora daí, estamos vendo isso como se fossem relatos de moscas que estão caindo. Isso é verdade. Até por defesa, as pessoas não querem mais assistir noticiário porque não conseguem... Sim, quem não consegue não deve assistir, tá certo, eu respeito profundamente isso, mas eu fico pensando também, essa alienação, não querer saber, é uma forma de falta de solidariedade, de compaixão. A morte de milhares de brasileiros, de seres humanos no mundo, não pode passar pra gente sem uma dor. A gente só vai participar ativamente, na ajuda pra passar esse período, se a gente sentir que a cada ser humano que cai, um pedaço da gente também vai. (...) Hoje você vê milhares de pessoas morrendo no Brasil, e a gente vai criando uma capa protetora de insensibilidade, de falta de compaixão, então a gente aceita tudo, inclusive a expressão máxima da insensibilidade, que é o nosso presidente democraticamente eleito. Perguntado sobre as mortes, ele questiona 'e daí?'. E daí? Você acha que isso não deve levar a gente a uma profunda tristeza? Será que viramos robôs, máquinas?", questionou.

MK também elogiou o posicionamento do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, que repudiou as agressões a jornalistas durante ato pró-governo realizado no último domingo (3). "O ministro Dias Toffoli saiu da toca e fez um pronunciamento forte, bem feito. Não foi agressivo, mas foi claríssimo, em defesa da democracia, da liberdade de imprensa, e em dizer que o Supremo não vai aceitar que nenhum dos seus membros seja ameaçado por qualquer das medidas que tenham tomado. (...) Existem meios legais de protestar contra as decisões do Supremo, mas não é ameaçando, achincalhando ou tentando juntar sua milícia lá em Brasília ou em outras cidades, porque é uma milicia e miliciano é corrupto, envolvido em casos seríssimos desse país", disse.

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