Editorial

Maia e Alcolumbre buscam 'conciliação', mas Bolsonaro não quer 'parar de brigar', diz MK

Em comentário na Rádio Metrópole, Mário Kertész ainda voltou a lembrar do papel da imprensa na criação da imagem de "herói nacional" do ex-ministro Sergio Moro

[Maia e Alcolumbre buscam 'conciliação', mas Bolsonaro não quer 'parar de brigar', diz MK]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 27 de Maio de 2020 ⋅ 08:14

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (27), Mário Kertész falou sobre os principais destaques do noticiário nacional. MK voltou a lamentar o clima de ódio e intolerância que parece mover o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros, e ressaltou o papel dos chefes das Casas Legislativas, Rodrigo Maia (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado), para acalmar os ânimos.

"Nunca tive muita aproximação com Rodrigo Maia, mas acho que ele tem desempenhado um papel muito importante no Brasil. Ele, Davi Alcolumbre, Davi um pouco menos... Mas de novo, apelando pela conciliação nacional. Eu acho ótimo, acho que o caminho é esse. Tolerância, compaixão, solidariedade. Mas acontece que... A pergunta é a seguinte: o presidente da República quer mudar? Aceita admitir a tolerância? Aceita parar de brigar? Até hoje ele não sancionou a ajuda a Estados e municípios. Quando eu vejo [o ministro da Economia] Paulo Guedes, tido como o 'posto Ipiranga', o homem que mais entende de economia, do mundo, quer salvar o Brasil, disse que leu [o economista John] Keynes três vezes no original, isso numa reunião de ministérios. Venha cá, 'e kiko'? Qual é a importância disso? Grandes merdas! Que governo mais estranho é esse?", afirmou.

MK também voltou a lembrar do papel que a imprensa, em especial a Rede Globo, teve na criação da imagem de "herói nacional" do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. "Me lembro das edições do Jornal Nacional, que às vezes demoravam uma hora, uma hora e vinte, e o primeiro bloco era sem intervalo, 40 minutos, só aquele tubo de dinheiro caindo. A Lava Jato teve importância? Teve! Foi um marco na vida brasileira? Foi! Pela primeira vez se prendeu mangangão, se botou pra fora as podridões, em níveis inimagináveis de corrupção. Mas depois perderam a escala, perderam tudo e passaram a agir impunemente, por cima da lei, com a conivência do STJ, do STF. (...) E deu no que deu. Jair Bolsonaro eleito, se sente absolutamente à vontade, de cada dia engrossar mais. (...) Eu continuo dizendo, achando, que é preciso limites, dentro da Constituição. Golpe nem de direita, nem de esquerda, nem de centro, nem nada. Nenhum tipo de golpe. Agora, é preciso que o Supremo e o Congresso ajam com força, determinação e muita vontade", pontuou.

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