Editorial

'Luta pela democracia deve ser suprapartidária', afirma MK sobre protestos

Em comentário na Rádio Metrópole, Mário Kertész também ressaltou que o mundo terá que se reinventar após a pandemia, tanto nas relações quanto na economia

['Luta pela democracia deve ser suprapartidária', afirma MK sobre protestos]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 01 de Junho de 2020 ⋅ 08:46

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (1º), Mário Kertész falou sobre as manifestações registradas nos Estados Unidos e no Brasil. Há seis dias, norte-americanos de diversas cidades protestam contra a violência policial e o racismo, após a morte do ex-segurança negro George Floyd, asfixiado por um policial durante abordagem. Já no Brasil, torcidas organizadas de São Paulo convocaram um ato contra o fascismo e a favor da democracia, ontem (31).

"Vocês estão vendo nos Estados Unidos, aquele absurdo daquele crime contra um negro. A polícia americana é racista, é violenta, todo mundo sabe disso. O mundo é racista. O Brasil é racista. (...) Nos Estados Unidos já tem mais de 75 cidades em polvorosa. Quanto mais violência tiver, mais violência vai acontecer, até chegar uma hora em que as pessoas vão cansar. (...) No meio de tanta confusão, se você olhar bem, a maioria dos mortos, tanto lá quanto aqui, são pretos, pobres, da periferia. (...) Eu acho que a democracia brasileira será forte, é forte, pode continuar a ser forte. Mas se ela for suprapartidária. Se a gente entrar nesse jogo de partido, estamos perdidos. A luta tem que ser suprapartidária e tem que envolver os jovens. Ontem eu vi pela primeira vez as torcidas de São Paulo saírem defendendo a vida e a democracia. Isso é positivo. Claro que dá choque, dá briga, normal. Em 2013, vocês estão esquecidos quantas mobilizações teve no Brasil todo? Tem tanto tempo não, sete anos. E eu acho que os verdadeiros democratas, independente de ficar nutrindo ódio a Bolsonaro... Nós temos é que defender a vida, a democracia, o direito às pessoas se expressarem", afirmou.

MK ainda avaliou que a atual conjuntura da pandemia do coronavírus aponta para uma grande transformação no modo de vida da humanidade.

"O mundo vai mudar mesmo, isso não é brincadeira não. (...) Em função dessa pandemia, que é uma coisa que ninguém esperava, a não ser Bill Gates, ela se espalhou pelo mundo e mudou conceitos de tudo. Não pense que vai ter o normal de antigamente, eu posso estar enganado, mas eu acho que até as relações vão ter que mudar, o tipo de capitalismo vai ter que mudar, o tipo da influência de uma elite egoísta, miserável, que não tem compaixão, não tem solidariedade, que aqui no Brasil permite a existência de 50 milhões de invisíveis. Isso vai ter que mudar. Não é com o comunismo, que a gente sabe que não deu certo, nem com o nazismo. Vamos ter que ter capacidade de criar coisas novas, novas relações humanas, novos sistemas econômicos. O governo nunca mais vai ser mínimo", pontuou.

Outro assunto do comentário de MK foi o acordo do governo do presidente Jair Bolsonaro com o bloco conhecido como "Centrão", com a entrega da presidência do Banco do Nordeste ao PL, legenda comandada por Valdemar Costa Neto, condenado por corrupção. "O governo está se virando pra manter o mínimo de apoio no Congresso e não sofrer impeachment. Aí, a pergunta honesta: só ele que faria isso? Outros governos não fizeram? Vários desses do Centrão não ocuparam cargos em outros governos? Vamos perguntar isso? Sejamos honestos, isso aconteceu antes. Aí você vai dizer 'mas Bolsonaro disse que não ia acontecer'. Acho até que ele pode ter pensado isso mesmo, mas só que ele está se vendo apertado, porque na economia está um desastre, na saúde também. Crise em cima de crise. Tem gente que pensa que é possível que Jair Bolsonaro vá renunciar. Como vai renunciar? Se ele lutou pra ser presidente, foi eleito democraticamente, vai renunciar? Que nada!", disse.

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