Editorial

MK lamenta 51 mil mortes por Covid-19 no Brasil: 'Já pararam pra pensar nas famílias dessas pessoas?'; ouça

Mário Kertész também repudiou comportamentos do presidente Jair Bolsonaro em meio à pandemia: "Não se pode pretender engaiolar o futuro"

[MK lamenta 51 mil mortes por Covid-19 no Brasil: 'Já pararam pra pensar nas famílias dessas pessoas?'; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 23 de Junho de 2020 ⋅ 08:51

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (23), Mário Kertész citou o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a tendência de aceleração da pandemia de Covid-19 e a escalada no número de mortes pela doença no Brasil. MK lembrou que o potencial de transmissão do vírus impede a realização de cerimônias fúnebres, que servem como ritos de passagem e ajudam a "viver o luto".

"A OMS disse que a pandemia continua acelerando. Mais de 51 mil mortes no Brasil. Será que vocês já pararam pra pensar nas famílias dessas pessoas, o que elas estão sentindo agora? O que passa pela cabeça delas? Pessoas que tiveram seus pais, mães, irmãos, tias, sogra, avó, que morreram longe de vocês, que morreram e não tiveram nem um velório, uma despedida, que é um rito de passagem, que é importante pra gente viver o luto, porque não adianta a gente fugir do luto. Viver o luto não significa mergulhar na depressão e se entregar a sentimentos negativos. Não! Significa a gente honrar aquela vida, sentir saudade daquela vida, e agradecer por aquela vida ter passado pelas nossas vidas. E eu digo a vocês, me permitam a ousadia, com conhecimento de causa, quantas e quantas pessoas mais do que queridas, amadas por mim, eu vi morrer. Minha mãe, meu pai, meu irmão, meus primos, e tantos queridos amigos de infância, de juventude e até da maturidade. Uma dor sentida por cada um. Mas isso é importante, e nesse momento ninguém tá tendo direito a isso. Mas o presidente faz de conta que não é com ele", refletiu.

MK também voltou a repudiar os comportamentos do presidente Jair Bolsonaro, tanto em relação à pandemia quanto no contexto geral. Ele ressaltou, no entanto, que haverá resistência a qualquer tentativa de "engaiolar o futuro".

"Não se pode pretender engaiolar o futuro. Querer fazer com que o Brasil volte a ser o país primitivo, que não aceita diferenças ideológicas, religiosas, de gênero, que não aceita pensamentos diferentes, que quer impor um pensamento único em nome de Deus, da pátria? Não! Aqui não. Vocês podem até conseguir, não é impossível. Na força. Subjugando mais uma vez o nosso povo. Mas não vai ser nem com nossa vontade, nem com nosso respeito. E nós vamos lutar até o fim. (...) Às vezes a gente tem que ter a resignação de não confundir o curto espaço da nossa vida, a nossa finitude, com a finitude da história. A história não acaba, a história tem o seu próprio tempo", pontuou.
MK ainda lamentou o falecimento do historiador Luís Henrique Dias Tavares, que morreu na manhã de ontem (22), aos 94 anos. "Um dos maiores e melhores intelectuais da nossa terra, que nos deixou ontem aos 94 anos de idade. Uma vida longa, profícua, fantástica. Escritor de livros, inclusive sobre a Bahia. Eu não convivi com ele, mas tive o prazer de encontrá-lo em muitas oportunidades. Todas as nossas homenagens, o abraço para a família, sua esposa, seus filhos, seus descendentes, da nossa mais profunda dor pela perda de um dos maiores e melhores cérebros e intelectuais deste país e desta Bahia", disse.

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