Editorial

MK defende debate 'sem viés político' sobre marco do saneamento básico; ouça

Mário Kertész ainda falou sobre o projeto de lei que determina desconto de até 30% em mensalidades escolares, além de trazer recordações da juventude

[MK defende debate 'sem viés político' sobre marco do saneamento básico; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 17 de Julho de 2020 ⋅ 08:45

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (17), Mário Kertész defendeu um debate mais aprofundado sobre o marco legal do saneamento básico, sancionado com vetos pelo presidente Jair Bolsonaro. MK relembrou o Projeto Camurujipe, implantado durante sua primeira gestão como prefeito de Salvador (1979-1981), e ressaltou que o acesso ao saneamento básico é um direito fundamental.

"A gente precisa estabelecer um debate sobre essa lei do saneamento básico. Muita gente é contra, muita gente é a favor, e precisamos ouvir os dois lados, porque o fato é que hoje no Brasil a maior parte da população não tem direito a saneamento. (...) Lembro que quando fui prefeito de Salvador a primeira vez, fui com meu amigo, o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, visitar o Bom Juá. Eu tinha poucos dias na prefeitura e fiquei alarmado com o que vi. O povo vivendo na lama, no esgoto, fezes passando, entrando nas casas quando o rio transbordava. As pessoas jogavam móveis no rio. E daí nasceu o Projeto Camurujipe, que previa a canalização de águas pluviais e de esgoto, saindo do Bom Juá e chegando ao Costa Azul". (...) Acho que esse é um assunto pra ser discutido com seriedade, sem nenhum viés político, nem ideológico", pontuou.

Outro assunto foi a aprovação pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) do projeto de lei que determina, entre outros pontos, o desconto de até 30% nas mensalidades escolares durante a pandemia. O texto estabelece, no entanto, exceções para universidades "filantrópicas". "Aí eu pergunto: qual é a universidade filantrópica? A Universidade Católica de Salvador é considerada filantrópica? Tenho minhas dúvidas. Me lembro que no passado o pessoal reclamava muito porque não estava conseguindo pagar a mensalidade da Universidade Católica, a inadimplência às vezes alcançava níveis absurdos, havia um movimento de alunos que dizia que a universidade era filantrópica e recebia subsídios. Ela não recebe, na época não recebia. Não sei se ela não paga impostos. Então, tem pessoas, pais e alunos mesmo que estão preocupados com isso", afirmou.

MK também abriu o baú de recordações da juventude, ao falar sobre como todos os dias parecem iguais devido ao isolamento social. "Hoje é sexta, agora já não faz muita diferença. Tem gente que fica deprimido quando chega domingo de tarde, mas o sábado realmente é que, pra mim, era o grande dia. Agora tá tudo igual. Mas era o grande dia, a perspectiva do sábado, de sexta-feira de noite em diante você dizia 'ah, amanhã é sábado', não sei se é por causa de minhas origens judaicas. (...) O sábado sempre foi um dia glorioso. Quando eu era muito jovem, o domingo era bom, nós íamos comemorar com meus pais, todos íamos para a praia. Papai era húngaro, mas adorava, nunca vi uma pessoa virar tão baiana quanto ele. Tanto que ele fez questão de ser enterrado aqui. (...) A gente ia para a praia em um dia de domingo e voltava, pegava aquela feijoada de domingo, depois daquele descanso do almoço, sempre era um almoço de família grande. (...) O domingo era uma festa. (...) Mas agora mudou, e o domingo é o domingo, sábado é sábado, para aquelas pessoas que estão realmente aprisionadas", disse.

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