
Home
/
Notícias
/
Eleições 2026
/
Coordenador de Flávio Bolsonaro defendeu aumento de 23% no preço do gás de cozinha
Eleições 2026
Coordenador de Flávio Bolsonaro defendeu aumento de 23% no preço do gás de cozinha
Em artigo de 2018, Adriano Pires propôs acabar com subsídio generalizado e cobrar preço de mercado de quem não recebesse vale-gás

Foto: Pedro França/Agência Senado
Adriano Pires, economista responsável pela área de energia da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defendeu uma mudança na política de preços do gás de cozinha que elevaria em cerca de 23% o valor do botijão para consumidores não contemplados por benefícios sociais. A proposta foi apresentada em um artigo publicado em outubro de 2018, no qual ele sugeriu acabar com o subsídio concedido de forma generalizada e concentrar a assistência nas famílias de baixa renda.
Naquele período, o botijão de 13 quilos custava aproximadamente R$ 65. Segundo os cálculos do próprio economista, sem o subsídio, o preço subiria para R$ 80, uma diferença de R$ 15. Atualizados pela inflação até setembro de 2026, os valores correspondem a cerca de R$ 98 e R$ 121, respectivamente.
No texto intitulado Robin Hood às avessas: vale gás como proposta para presidenciáveis, publicado em 4 de outubro de 2018, Pires argumentou que o desconto generalizado também beneficiava famílias com maior renda. Como alternativa, propôs criar um vale-gás voltado exclusivamente à população mais pobre.
“Hoje o preço do gás de cozinha está em torno de R$ 65. Se fosse retirado o subsídio, o preço iria para algo como R$ 80”, escreveu.
Pelo modelo sugerido, 8,7 milhões de famílias inscritas na tarifa social de energia elétrica receberiam o benefício e pagariam R$ 40 pelo botijão. Para os demais consumidores, o valor seria de R$ 80. O economista estimou que a medida atenderia aproximadamente 35 milhões de pessoas, com concessão do auxílio a cada 45 dias, intervalo que considerava compatível com o consumo médio de um botijão.
“Quando somente 8,7 milhões de famílias pagarem R$ 40 pelo botijão e o restante das famílias R$ 80, aí vai aparecer o dinheiro para o subsídio direcionado”, argumentou.
A proposta previa que os consumidores fora do programa pagassem o valor integral, sem proteção contra eventuais aumentos decorrentes das oscilações do mercado. Pires defendia que o preço acompanhasse fatores como as cotações internacionais e a variação cambial.
“O preço do botijão será determinado pelo mercado, sofrendo todas as pressões, inclusive as do mercado internacional, da taxa de câmbio”, afirmou.
O economista também descartou o uso de recursos da Petrobras para custear o benefício, sob o argumento de preservar os interesses dos acionistas da estatal.
“Com isso, estaremos respeitando os direitos dos acionistas da empresa”, escreveu.
Economista é cotado para cargo estratégico
A proposta de Pires volta ao debate diante de sua atuação na campanha de Flávio Bolsonaro. Além de coordenar a elaboração de propostas para o setor energético, ele é apontado como possível nome para o Ministério de Minas e Energia ou para a presidência da Petrobras, caso o senador vença a eleição.
Sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e ex-superintendente-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Pires defende maior liberdade na definição dos preços dos combustíveis.
Em agosto de 2026, o economista afirmou que a possibilidade de capitalização da Petrobras deveria ser discutida. A medida poderia alterar a estrutura de controle da companhia, embora não estivesse prevista no programa eleitoral de Flávio Bolsonaro.
Em 2019, Pires também apoiou o fim da diferenciação de preços do gás de cozinha residencial praticada pela Petrobras. Em 2025, voltou a criticar a manutenção de preços abaixo das referências de mercado, defendendo que a assistência às famílias de baixa renda fosse feita por meio de subsídios direcionados.
Atualmente, o governo Lula mantém o Gás do Povo, programa que oferece recarga gratuita de botijões a famílias de baixa renda e que, segundo os dados apresentados, alcançou cerca de 15 milhões de famílias em 2026.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

