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Trump afirma gostar de Lula, mas diz que eleição brasileira “parece ter sido fraudada”
Presidente dos EUA afirmou que não apoiou candidatos, mas classificou a disputa como “corrupta” e “terrível”; republicano evitou declarar apoio formal a Flávio Bolsonaro durante a campanha

Foto: Gallery/The White House
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26) que gosta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas colocou em dúvida a legitimidade das eleições brasileiras. Em entrevista a jornalistas, o republicano disse que a votação “parece ter sido fraudada”, sem apresentar evidências para sustentar a afirmação.
“Eu gosto do Lula, me dou bem com ele, mas as eleições parecem ter sido fraudadas”, declarou Trump.
Questionado se pretendia tomar alguma medida em relação ao pleito brasileiro, o presidente americano respondeu que governa os Estados Unidos, e não o Brasil. Em seguida, criticou o processo eleitoral e afirmou que não tomou partido na disputa.
“Achei que foi uma situação muito ruim. Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada. Francamente, não tomei partido, mas foi uma imagem péssima para o mundo. É mais uma eleição. Sabe, as eleições precisam ser incontestáveis, e aquilo me pareceu muito ruim”, disse.
“Não tomei partido. Não apoiei ninguém, nem nada. Mas acompanhei a eleição. Pareceu tão, tão corrupta, tão terrível”, completou.
No domingo (25), Trump já havia evitado declarar apoio a qualquer candidato no segundo turno. Na ocasião, afirmou apenas que acompanhava a disputa. A postura foi diferente da adotada em outras eleições na América Latina, nas quais o republicano manifestou apoio a aliados políticos.
Relação com o governo Lula
As declarações ocorrem após um ano de tensão entre Washington e Brasília. Em julho de 2025, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e associou a medida ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo americano também impôs restrições de visto a autoridades brasileiras e sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula reagiu às medidas acusando os Estados Unidos de interferência na soberania brasileira e passou a explorar o tema politicamente. Segundo pesquisas da Genial/Quaest citadas na reportagem original, a aprovação do governo federal subiu de 40% em maio de 2025 para 43% em julho e 46% em agosto daquele ano.
De acordo com o jornal The Washington Post, a discrição de Trump durante a campanha brasileira foi uma decisão estratégica. Um assessor do governo americano afirmou, sob condição de anonimato, que a orientação era evitar declarações que pudessem ser interpretadas como interferência nas eleições.
A avaliação era de que manifestações de Trump poderiam favorecer Lula, ao reforçar o discurso do presidente brasileiro contra a pressão americana. Aliados de Flávio Bolsonaro também reconheceram que as tarifas prejudicaram o senador nas pesquisas em um momento delicado da campanha, segundo o jornal americano.
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