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Eleições de meio de mandato nos EUA: veja como funcionam as midterms

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Eleições de meio de mandato nos EUA: veja como funcionam as midterms

Eleição realizada na metade do mandato presidencial renova toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado e pode mudar a relação de forças no Congresso americano

Eleições de meio de mandato nos EUA: veja como funcionam as midterms

Foto: Midterms

Por: Daniela Gonzalez no dia 01 de novembro de 2026 às 08:40

Nos Estados Unidos, o eleitor volta às urnas dois anos depois da eleição presidencial para escolher parlamentares que vão definir, em grande parte, os rumos políticos do país. São as chamadas midterms, ou eleições de meio de mandato. Em 2026, a votação está marcada para 3 de novembro e vai renovar as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.

O nome da eleição vem justamente do momento em que ela acontece: no meio do mandato de quatro anos do presidente. Donald Trump, por exemplo, não disputa a eleição deste ano. Ele foi eleito em 2024, começou o mandato em 2025, e permanecerá na Casa Branca até janeiro de 2029. Os parlamentares escolhidos nas midterms, por sua vez, assumem os cargos em janeiro de 2027.

  • O que está em disputa

O Congresso americano é dividido em duas Casas: Câmara dos Representantes e Senado. Diferentemente do Brasil, os mandatos e a forma de distribuição das cadeiras são diferentes entre elas.

Na Câmara, todos os 435 assentos são renovados a cada dois anos. Os deputados representam distritos eleitorais distribuídos pelos estados de acordo com o tamanho da população. Estados mais populosos, portanto, elegem mais representantes.

No Senado, cada um dos 50 estados tem direito a dois senadores, independentemente da população. Como o mandato é de seis anos, a renovação ocorre de forma escalonada. A cada eleição de meio de mandato, aproximadamente um terço das cadeiras é colocado em disputa. Em 2026, serão 35 vagas.

  • Como o eleitor escolhe os candidatos

Antes da eleição geral, os partidos realizam primárias para definir quem será o candidato de cada legenda. Na maioria dos estados e distritos, a disputa principal acaba concentrada entre um candidato republicano e um democrata.

Candidatos independentes também podem concorrer, embora, segundo o material, geralmente tenham menos visibilidade e recebam menos votos.

Outra diferença importante em relação ao Brasil está na organização do processo. Não existe nos Estados Unidos um órgão nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Cada estado é responsável pela própria eleição e pela apuração dos votos.

Por que a eleição é importante para Trump?

Embora o presidente não esteja na cédula, as midterms funcionam como um importante teste político para o governo. Isso porque o partido que controla a maioria no Congresso tem maior capacidade de definir a pauta e aprovar projetos.

Nas eleições de 2024, os republicanos conquistaram a maioria tanto na Câmara quanto no Senado. A manutenção ou perda dessas maiorias pode determinar o espaço que Trump terá para aprovar propostas durante a segunda metade do mandato.

Se os democratas conquistarem uma ou as duas Casas, o governo poderá enfrentar mais dificuldades para aprovar projetos e terá de negociar com uma oposição fortalecida.

  • Voto pelo correio

As eleições americanas também têm uma característica que costuma chamar atenção no Brasil: o voto pelo correio. Os 50 estados permitem alguma forma dessa modalidade, mas as regras variam de acordo com cada estado.

Em geral, o eleitor recebe a cédula, preenche o documento e o envia de volta dentro do prazo estabelecido. A modalidade se tornou um dos temas políticos da campanha, especialmente diante das propostas do governo Trump para endurecer as regras.

  • Quando os resultados saem?

A apuração também é diferente do modelo brasileiro. Como cada estado administra a própria eleição, os horários de encerramento da votação variam. Em alguns locais, os primeiros resultados aparecem ainda na noite da eleição.

Isso não significa, porém, que o resultado definitivo seja conhecido rapidamente. A contagem de votos enviados pelo correio pode prolongar a apuração. Em 2022, por exemplo, a definição da maioria da Câmara demorou mais de uma semana.

Assim, mais do que escolher parlamentares, as midterms podem redefinir a relação de forças em Washington. O resultado determina quem terá maior poder para pautar votações, aprovar leis e pressionar o governo até o fim do mandato presidencial.