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Custo de vida ganha peso e vira teste para Trump nas eleições dos EUA

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Custo de vida ganha peso e vira teste para Trump nas eleições dos EUA

Preços de alimentos, gasolina, moradia e saúde estão entre os principais problemas econômicos antes das eleições de meio de mandato

Custo de vida ganha peso e vira teste para Trump nas eleições dos EUA

Foto: Reprodução

Por: Metro1 no dia 01 de novembro de 2026 às 10:50

Às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o bolso ocupa um espaço central nas preocupações dos eleitores. A economia aparece como o principal tema da disputa pelo Congresso, em um cenário marcado pelo aumento do custo de produtos básicos, da energia, da moradia e dos serviços de saúde.

Uma pesquisa do Pew Research Center, realizada entre 28 de setembro e 4 de outubro, mostra a dimensão da preocupação. 84% dos eleitores registrados afirmaram que a economia é muito importante para decidir o voto nas eleições legislativas. O índice supera questões como democracia, saúde, educação e imigração.

Quando a pergunta é especificamente sobre os preços, o alerta também é amplo. 73% dos americanos dizem estar muito preocupados com o custo de alimentos e bens de consumo. A preocupação chega a 74% quando o assunto é gasolina e energia, 69% para os custos de saúde e 66% para moradia.

Do supermercado ao tanque

A sensação de aperto aparece no cotidiano. Alimentos, produtos de limpeza, combustível e outras despesas básicas passaram a ocupar uma parcela maior do orçamento de muitas famílias. Em vez de discutir apenas indicadores econômicos, a campanha eleitoral passou a ser atravessada por uma pergunta mais simples: quanto custa manter a vida funcionando?

A gasolina é um dos exemplos mais visíveis. A preocupação com energia aumentou ao longo do ano e ganhou força em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã, que pressionou os preços dos combustíveis. Segundo o Pew, a parcela de americanos muito preocupados com gasolina e energia saltou de 43% em janeiro para 74% em outubro.

A moradia também pesa. Aluguéis elevados, juros de financiamento e o custo de manter uma casa dificultam o orçamento das famílias. O mesmo ocorre com a saúde, um dos itens mais caros do cotidiano americano: 69% dos entrevistados pelo Pew afirmaram estar muito preocupados com os custos do setor.

O efeito das tarifas

Nesse cenário, as tarifas adotadas pelo governo Donald Trump entraram no debate econômico. A política comercial foi apresentada pela administração como uma forma de proteger a indústria americana e fortalecer a produção doméstica, mas tarifas também podem elevar os custos de produtos importados e de componentes utilizados pelas empresas americanas.

A percepção entre os eleitores é majoritariamente negativa. Segundo o Pew Research Center, 56% dos americanos avaliam que as tarifas terão efeitos predominantemente negativos para o país, contra 20% que esperam efeitos principalmente positivos. Entre republicanos, porém, a avaliação é mais dividida: 40% veem efeitos positivos, enquanto 26% esperam impactos negativos.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em outubro apontou que 78% dos americanos atribuem pelo menos parte da alta do custo de vida às políticas de Trump. O percentual inclui 64% dos republicanos e 76% dos independentes. O levantamento também registrou que mais da metade dos entrevistados percebeu aumentos significativos nos preços durante o último ano.

A conta chega às eleições

O impacto político desse cenário está justamente na amplitude do problema. A economia não é uma preocupação restrita a um grupo partidário. Republicanos e democratas colocam o tema no topo das prioridades para o voto no Congresso: 82% dos eleitores que apoiam candidatos republicanos e 88% dos que preferem candidatos democratas dizem que a economia será muito importante para sua decisão.

Em julho, antes da reta final da campanha, o custo de vida e a acessibilidade financeira já apareciam entre os assuntos que os eleitores mais queriam ouvir dos candidatos. Na pesquisa do Pew, 15% apontaram especificamente custo de vida e acessibilidade como o tema que gostariam de ver mais discutido, enquanto 29% citaram questões econômicas de forma geral.

A insatisfação também aparece na avaliação geral da economia. Em outubro, apenas 21% dos americanos classificavam as condições econômicas do país como excelentes ou boas, segundo o Pew. O percentual havia sido de 28% no início do ano.

O cenário transforma o custo de vida em uma espécie de teste para o governo Trump. A eleição de meio de mandato tradicionalmente serve para medir a força política do presidente no meio do mandato, e desta vez o desempenho econômico ocupa uma posição especialmente importante no debate.

Isso não significa que todo eleitor que esteja insatisfeito com os preços necessariamente mudará de partido. Pesquisas recentes mostram que parte dos eleitores mantém sua preferência partidária mesmo diante da insatisfação econômica. Mas o custo de vida pode influenciar a mobilização, a escolha de candidatos e, principalmente, a percepção sobre quem deve controlar o Congresso.