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Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após crise financeira

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Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após crise financeira

Banco digital Ueno, maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, teve seu índice de solvência, que mede a capacidade de pagar suas dívidas, reduzido para menos da metade do mínimo exigido

Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após crise financeira

Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial/Metropress

Por: Metro1 no dia 04 de novembro de 2026 às 10:56

A crise financeira do banco digital Ueno, que tem cerca de 3 milhões de clientes no Paraguai, provocou a renúncia do presidente do Banco Central do país, Carlos Carvallo, nesta terça-feira (3). O caso também aumentou a pressão sobre o governo de Santiago Peña, já que a instituição enfrenta dificuldades financeiras, investigações e suspeitas sobre sua administração.

O Ueno, maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, teve seu índice de solvência, que mede a capacidade de pagar suas dívidas, reduzido para menos da metade do mínimo exigido após mudanças em seus balanços. Diante disso, o Banco Central iniciou medidas para proteger os clientes. O Ministério Público também solicitou uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição.

A crise também envolve possíveis conflitos de interesse. Carvallo comandou o Ueno até agosto de 2023, enquanto Peña foi sócio do grupo controlador do banco até março de 2025. A instituição é controlada majoritariamente pelo Grupo Vázquez e administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. Nesta terça, clientes encontraram agências fechadas e cobraram acesso ao dinheiro, entre eles aposentados que recebem benefícios pelo banco.

Medidas para conter a crise

Para evitar prejuízos aos depositantes, Peña anunciou um acordo com lideranças do Congresso para acelerar a votação de um projeto que permite utilizar o Fundo de Garantia do país para devolver os valores. A medida também pretende assegurar o pagamento de recursos públicos mantidos no banco, incluindo quantias do instituto de seguridade social IPS e de outros fundos de previdência.

Saída no Banco Central

O presidente paraguaio afirmou que o problema está restrito ao Ueno e não representa uma crise de todo o sistema financeiro. Enquanto isso, Carvallo anunciou que deixará o comando do Banco Central, mas permanecerá no cargo durante o procedimento de intervenção na instituição. A saída, segundo ele, busca reduzir as disputas políticas e permitir que os órgãos reguladores conduzam a fiscalização. A crise também atingiu o mercado financeiro, com queda no valor dos títulos do banco e pressão sobre os papéis da dívida paraguaia.