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Quebra de banco paraguaio provoca conflitos e protestos pela prisão do presidente
Internacional
Quebra de banco paraguaio provoca conflitos e protestos pela prisão do presidente
Manifestantes cobram devolução de poupanças e fundos de aposentadoria

Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial/Metropress
Correntistas e aposentados do banco paraguaio Ueno protestaram, nesta terça-feira (3), na cidade de Assunção depois que o Banco Central do país assumiu o controle do banco digital. A crise, que se iniciou quando foi identificado que a capacidade do banco de pagar suas dívidas era menor que o mínimo exigido, já desencadeou a renúncia do presidente do Banco Central paraguaio e o crescente medo da população de perder suas poupanças.
De acordo com o jornal local ABC Color, houve confronto com a polícia e pedidos de prisão contra o presidente Santiago Peña. Os manifestantes se reuniram em frente ao Panteão Nacional dos Heróis, e parte do grupo tentou seguir para a sede do Congresso Nacional, mas foi contida pela Polícia Nacional, tendo outras pessoas se dirigido até a residência oficial do presidente.
Com gritos de “devolvam tudo” e faixas pedindo que o Estado garanta 100% dos recursos, o grupo exigiu a devolução do dinheiro do Instituto de Previdência Social (IPS) e de fundos de aposentadoria que ficaram retidos no banco. O Ueno é a maior emissora de cartões de crédito do país e tem cerca de 3 milhões de clientes, quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios.
Intervenção
O conselho do Banco Central votou por unanimidade, na noite de segunda-feira (2), por colocar o Ueno em processo de resolução e entregar a gestão a funcionários encarregados de avaliar as finanças e proteger os ativos. A medida deixou em situação incerta as economias de milhões de clientes e centenas de milhões de dólares em fundos públicos.
A decisão veio depois de o índice de solvência do banco, que mede o capital em relação aos ativos ponderados pelo risco, cair abaixo da metade do mínimo legal. O mecanismo permite que os reguladores transfiram os depósitos para outras instituições antes de liquidar os ativos restantes. Segundo o Banco Central, o objetivo é “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”.
Mudanças no banco e prisões
O sistema eletrônico do banco já apresentava falhas desde segunda-feira e as transações de pequenos poupadores foram bloqueadas. Na terça, formaram-se longas filas em frente às agências em Assunção, de pessoas que tentavam sacar o dinheiro. Um dos manifestantes, Marcelino Vergara, de 68 anos, contou à AFP, em lágrimas, que perdeu as economias da vida e que tem hoje apenas 8 mil guaranis (R$ 7,35).
Os promotores determinaram a prisão de oito pessoas, entre elas o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale, e o diretor executivo, Federico Miguel Vázquez Villasanti. Elas são investigadas por suspeita de abuso de confiança e outros crimes. Na tarde desta terça-feira, outros dois diretores do banco também foram detidos.
Peña também anunciou a nomeação de Raúl Vera Bogado para a presidência do Banco Central, além dos diretores Pedro Acosta e Étsel González. O anúncio foi feito nas redes sociais, depois da renúncia de Carlos Carvallo, antigo presidente, ainda na terça. Em publicação, o presidente disse estar ciente da preocupação de milhares de paraguaios e afirmou compreender a incerteza causada pela situação. Foi a segunda manifestação dele sobre a crise.
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