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Dendê no Catar: baianos contam as experiências de viver a Copa de perto

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Dendê no Catar: baianos contam as experiências de viver a Copa de perto

Baianos viajaram para torcer pelo Brasil das arquibancadas do primeiro país do Oriente Médio a sediar um Mundial

Dendê no Catar: baianos contam as experiências de viver a Copa de perto

Foto: Acervo Pessoal

Por: Gabriel Amorim no dia 24 de novembro de 2022 às 09:47

Reportagem publicada originalmente no Jornal da Metropole em 24 de novembro de 2022

Os quase 12 mil quilômetros que separam o Brasil do Catar podem parecer um empecilho para quem quer ter a experiência de viver de perto as emoções de torcer para a seleção. Os caminhos que levaram os brasileiros às arquibancadas do mundial, no entanto, são os mais diferentes. Juntos, brasileiros de diversas partes do país, inclusive da Bahia, se preparam para pintar de verde e amarelo o estádio de Lusall, onde a seleção faz sua estreia nesta quinta-feira (23). 

Experiente em torcer nas copas, o cirurgião plástico baiano Paulo Sanjuan já está em seu quarto mundial e conta da organização dos torcedores para aumentar o espetáculo nas arquibancadas. Segundo ele, mais de 160 grupos de mensagens reúnem brasileiros moradores de todos os cantos do país e do mundo para fazer a festa ainda mais bonita. Reunidos, os torcedores ensaiam gritos de apoio e até uma bateria que ditará o ritmo da torcida. “É a nossa forma de incentivar o Brasil que já está vindo muito forte pra essa Copa”.

Desde que começou a ir aos mundiais, na Copa da África do Sul em 2010, o grupo de Paulo só aumenta. Hoje, com 26 pessoas, o time de torcedores deve assistir a quase 10 partidas só na primeira fase da competição. Além dos jogos da seleção, os brasileiros vão secar os resultados de importantes adversários como Argentina, Alemanha e Espanha. “Nossa preferência é sempre ir nos jogos da primeira fase, é o momento mais impactante, onde a gente encontra pessoas de mais países diferentes. Todo mundo ainda está com aquela esperança, existem as zebras, e isso dá uma emoção a mais”, conta.

Numa organização que começa um ano antes do mundial com a compra de passagens, e passa pelo desafio de conseguir os ingressos para as principais partidas, os torcedores apontam que a experiência nas copas é sempre diferente. No Catar, o choque cultural é maior. “Comparando com as outras Copas a diferença é visível, a fiscalização, as pessoas querendo olhar o que está escrito nas bandeiras que a gente carrega, a vistoria é muito maior. A gente entende, sabia que ia acontecer, não está sendo tão exagerado como disseram”, detalha o torcedor. 

Primeira vez

Se alguns torcedores já são experientes em acompanhar a seleção brasileira, existem também os baianos que têm, no Catar, sua primeira experiência em copas. É o caso do influenciador digital Vitor Augusto, que foi ao mundial depois de vencer um concurso da CBF, em sua primeira viagem internacional. Para o torcedor, o que chama atenção é a recepção dos estrangeiros aos brasileiros. “Eles simplesmente amam o Brasil, toda vez que percebem que somos brasileiros o tratamento muda completamente, eles tem até torcida organizada do Brasil”, diz ele que é torcedor do Vitória, e fez questão de vestir as cores do Leão no Catar. 

Também vencedor do mesmo concurso, o professor de inglês Tiago Rocha foi parar no primeiro treino que a seleção fez no país sede, tirou fotos com jogadores, mas também foi tietado por torcedores estrangeiros. Agora, o baiano espera que se concretize o desejo que ouviu de outros torcedores. 

“Quando a gente sai com a camisa do Brasil as pessoas pedem pra tirar foto, filmar, querem ficar junto. Sempre aquela conversa: queremos nosso país com o Brasil na final”, conta. Que assim seja. A ajuda da torcida, temperada com dendê, não vai faltar.