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Aos pés do poeta: Jornal Metropole relembra moda das mortalhas e Carnaval na Praça Castro Alves
Há 40 anos, mortalha e mamãe sacode eram moda e a Praça Castro Alves se tornava o palco do Carnaval de Salvador

Foto: Acervo/Metropress
Reportagem publicada originalmente no Jornal Metropole em 12 de outubro de 2023
Confete, serpentina, mortalha e mamãe sacode. Encontros de trios, os maiores nomes da música baiana, os holofotes das transmissões de TV, as autoridades e o povo, tudo isso fervendo junto aos pés do poeta. O auge dos carnavais na Praça Castro Alves parece passar pela nossa memória em imagens VHS, de tão anos 80 e 90. Nesse caso, a gente se permite um pouco de saudosismo sim, e dá até vontade de voltar a fita.
De lá pra cá, o foco das TVs mudou de endereço, a presença dos grandes artistas também e o brilho dos carnavais na praça do povo já não é mais o mesmo.
A criação do circuito Dodô, da Barra à Ondina, em 1992, mexeu com a estrutura do Carnaval de Salvador, e talvez a fuga das estrelas da folia do centro tenha começado aí. Mas a passagem de trios pela orla começou bem antes. Em 1979, o bloco Camaleão teve o gerador queimado antes de entrar na avenida. Dois anos depois, de trio novo, o bloco decidiu fazer um evento pré-carnavalesco e criou o “Banho de mar à fantasia”, descendo para a Barra para mostrar a potência do novo equipamento.
O resto da história a gente conhece. Em 1992, o circuito tornou-se oficial, e o Carnaval do Campo Grande sentiu o baque. Ano a ano, mais e mais artistas aderiram ao Carnaval na orla. Mortalhas viraram abadás, os camarotes viraram varandas de luxo e tudo parece ter perdido um pouco da autenticidade. Mas a beleza e a poesia do encontro de trios na subida do Sulacap, isso nenhum outro lugar tem.
Engarrafamento de trio
Há 20, 30 anos (até um pouquinho mais), a organização do Carnaval era um pouco diferente. Os horários de saída e chegada de trios independentes e blocos não eram tão rígidos quanto hoje, e vira e mexe alguém levava um tempo a mais tocando na praça. Quanto mais música, mais gente, e se nesse intervalo descesse um trio pela Avenida Sete, o que restava era tocar todo mundo junto. Foi assim que começaram os encontros de trios.
'Leva Motô'
Às vezes o encontro dava erro. Quem nunca ficou atrás de um trio elétrico engarrafado na Castro Alves não viveu o Carnaval, e de vez em quando o “chame gente” virava “chega pra lá”. O próprio folião acabava dando uma de flanelinha. No fim dava certo, e tudo se completava enchendo de alegria a praça e o poeta. Quem viu, viu
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