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Grupo de corrida do Subúrbio vira fenômeno de público e atrai adeptos de toda cidade

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Grupo de corrida do Subúrbio vira fenômeno de público e atrai adeptos de toda cidade

Longe dos circuitos tradicionais, coletivo SBN Running reúne quase mil pessoas e transforma corrida de rua em pertencimento em uma das áreas mais populosas da cidade

Grupo de corrida do Subúrbio vira fenômeno de público e atrai adeptos de toda cidade

Foto: Divulgação/William Malta

Por: Duda Matos e Laisa Gama no dia 13 de agosto de 2026 às 09:00

Matéria originalmente publicada no Jornal Metropole em 13 de agosto de 2026

Quem pensa em corrida na capital baiana talvez imagine os circuitos mais conhecidos da cidade, com atletas de diferentes níveis ocupando as principais avenidas, a orla e grandes eventos. Mas existe outro percurso sendo feito por centenas de corredores. Longe dos trajetos tradicionais, eles se encontram em Itacaranha, no Subúrbio Ferroviário, para fazer o que a SBN Running chama de “o corre”.

SBN é uma abreviação de Suburbana, nome que ajuda a explicar a origem do coletivo e a relação que ele mantém com o território. O movimento nasceu da vontade de dois amigos, Davi Santos e Caíque Ferreira, de levar para o próprio bairro uma cultura de corrida que eles viam em outras regiões da cidade.

Ponto de origem

O primeiro treino aconteceu na Praça de Itacaranha. O que começou pequeno ganhou cada vez mais espaço. Hoje, a SBN reúne entre 900 e 1.000 participantes e chega a colocar de 400 a 500 pessoas juntas em um único treino.

“A gente começou correndo na Suburbana (Avenida Afrânio Peixoto) e sempre via que não tinha tanto essa cultura de corrida aqui. E aí a gente pensou: ‘Irmão, vamos fazer algo para movimentar nosso bairro’”, conta Davi, ao relembrar como o movimento surgiu em uma conversa com o amigo. 

À frente do coletivo também estão os jovens William Santos, Nicolas Brito e Jefferson Lima. Ao longo do mês, a SBN realiza cerca de três treinos gratuitos, dois pela manhã e um à noite, com as informações previamente divulgadas nas redes sociais. 

A ideia, no entanto, nunca foi somente correr. “A SBN nasceu com intuito de trazer saúde para a comunidade e levar também cultura e lazer. Era o que estava faltando aqui no nosso bairro”, explica. 

Via de mão dupla

A corrida ganhou uma dimensão ainda mais simbólica quando o coletivo passou a ocupar espaços da cidade onde a presença de corredores do Subúrbio não era tão comum. O movimento também fez o caminho inverso, levando pessoas de diferentes bairros até Itacaranha. “A cada corrida, chegam pessoas de diferentes locais de Salvador, não só da nossa região”, conta Davi.

Para ele, o fluxo em via de mão dupla ajuda a romper uma imagem construída sobre o Subúrbio, frequentemente associado à violência e à pobreza. A cada encontro, corredores de outras regiões passam a conhecer um território que antes poderia parecer distante.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Na data que marca a luta e a valorização da população negra, mais de mil pessoas participaram do ‘corre’ da SBN no Centro Histórico. O tamanho da multidão também fez os próprios organizadores perceberem que o que estava acontecendo já era maior do que um grupo de corrida. 

“A gente não tinha essa dimensão. Depois do Centro (Histórico), a gente pensou: somos gigantes. Estamos fazendo um trabalho lindo e estamos no caminho certo”, completou Davi.

Divulgação: Factral 

Do sofá para a correria

A dimensão do movimento também aparece nas histórias de quem passou a correr sem nunca ter imaginado que um dia faria isso. Aos 34 anos, o eletrotécnico Danilo Ferreira é um desses casos. Antes da SBN, a rotina era marcada pelo trabalho e pelo sedentarismo. 

A gratidão ganhou uma marca permanente. Danilo tatuou o nome da SBN no peito como forma de agradecer ao grupo.“A tatuagem foi feita como gratidão [...] Agora, nunca mais vou deixar de participar do corre, está no sangue, literalmente”, brinca.

Acervo Pessoal 

Apoiados por ‘Nós Mesmo’

O crescimento trouxe grandes marcas e novas parcerias, mas também criou uma preocupação entre os organizadores de não deixar a essência para trás. Nas costas das camisas da SBN, uma frase resume a identidade do grupo,- Apoio: Nós Mesmo.

Segundo Davi, a expressão nasceu da própria realidade de quem participa do coletivo. “A gente sempre brinca, né? E fala que o apoio é nós mesmo”, brinca. Mesmo com parceiros, a ideia é preservar a lógica de quem começou se ajudando dentro da própria comunidade.

Para quem está acostumado a pensar na corrida a partir dos circuitos mais conhecidos da cidade, a SBN mostra que sempre existem outros percursos possíveis.