Segunda-feira, 02 de agosto de 2021

Justiça

Faroeste: Homem é preso suspeito de cobrar propina para juiz preso pela operação desde o ano passado

Polícia Federal apurou que a propina cobrada era no valor de R$ 2,2 milhões, em nome do juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio

Faroeste: Homem é preso suspeito de cobrar propina para juiz preso pela operação desde o ano passado

Foto: Divulgação TJBA

Por: Metro1 no dia 17 de junho de 2021 às 14:24

Durante a oitava etapa das investigações da Operação Faroeste, agentes da Polícia Federal prenderam na cidade de Barreiras um homem na manhã desta quinta-feira (17) suspeito de cobrar propina em nome do juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, preso preventivamente desde o ano passado. O magistrado responde a uma ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) acusado de participar de um esquema de venda de sentenças para favorecer a grilagem de terras em Formosa do Rio Preto, no extremo Oeste da Bahia. Advogados e desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia também continuam presos.  

Segundo informações do Procuradoria Geral da República (PGR), as investigações da PF apontam que o valor da propina cobrada pelo homem preso hoje gira em torno de R$ 2,2 milhões. O juiz Sérgio foi acusado de vender decisões para um falso cônsul da Guiné Bissau, de nome Adailton Maturino, que também está preso. A decisão envolve uma disputa por mais de 300 mil hectares de terra na região de Coaceral, em Formosa do Rio Preto. 

A prisão de hoje é temporária, mas pode ser prorrogada após os cinco dias iniciais, se ficar comprovada a necessidade de extensão desse prazo. Na representação em que requereu as medidas, a PGR enfatizou a participação do aludido operador no microssistema criminoso, que incluiu a anulação e restabelecimento de decisões administrativas e de liminares, além da adulteração de documentos e movimentações bancárias por envolvidos no esquema.

A intenção, com as as medidas cautelares é recolher elementos que permitam a continuidade da investigação acerca dos possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Sobre a Faroeste - Deflagrada em 2019, a Operação Faroeste tinha, inicialmente, o propósito de apurar a existência de organização criminosa formada por magistrados e servidores do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ/BA), além de advogados, empresários e intermediários. A atuação do grupo inclui a atuação sistemática de comercialização de sentenças judiciais, com o propósito de favorecer a grilagem de terras na região oeste do estado. Ao longo dos últimos meses, no entanto, novas frentes do esquema foram descobertas e seguem em investigação.

Parte dos envolvidos já foi denunciada e responde a ação penal do STJ. Desde o início da Operação cerca de 12 pessoas foram presas provisoriamente por ordem judicial.

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