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Justiça do Rio decreta nova prisão do cantor Oruam

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Justiça do Rio decreta nova prisão do cantor Oruam

Decisão aponta 22 violações na tornozeleira eletrônica, enquanto defesa afirma que falhas técnicas no equipamento motivaram os registros de fim de bateria

Justiça do Rio decreta nova prisão do cantor Oruam

Foto: Reprodução/Pedro Apolinário/Dazed Magazine

Por: Metro1 no dia 03 de fevereiro de 2026 às 13:59

A Justiça do Rio de Janeiro determinou novamente, nesta terça-feira (3), a prisão do cantor de funk e trap Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam. A decisão foi proferida pela juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal. Segundo o despacho, o artista teria descumprido as regras do monitoramento eletrônico ao violar a tornozeleira 22 vezes, o que caracterizaria desrespeito sistemático às medidas cautelares impostas anteriormente.

No documento, a magistrada afirma que houve “violações ao monitoramento eletrônico revelando um padrão reiterado de negligência com o equipamento”, com registros frequentes de fim de bateria por períodos prolongados nos meses de outubro e novembro de 2025.

Na segunda-feira (3), o ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça, revogou o habeas corpus que beneficiava o cantor. Para o Supremo Tribunal de Justiça, Oruam descumpriu reiteradamente o uso da tornozeleira ao permitir que a bateria descarregasse por longos períodos, o que teria dificultado a fiscalização judicial e demonstrado risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.

Segundo informações do G1, a Polícia Civil do Rio realiza diligências em diferentes endereços ligados ao cantor para cumprir o mandado de prisão.

No ano passado, o ministro havia determinado a soltura de Oruam ao considerar que a manutenção da prisão preventiva tinha fundamentação insuficiente e genérica. Agora, essa decisão foi revertida.

O artista é acusado de duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação no Rio. Com a nova decisão, volta a valer a prisão preventiva, que havia sido substituída por medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

A defesa de Oruam, representada pelo advogado Fernando Henrique Cardoso, nega que tenha havido desligamento proposital do equipamento. Segundo ele, a tornozeleira apresentava problemas técnicos e o cantor foi chamado à Secretaria de Administração Penitenciária para realizar a troca.

Cardoso afirma que dados telefônicos indicam falhas no aparelho desde dezembro. Ele diz que, em 9 de dezembro, Oruam compareceu à Seap, onde técnicos constataram defeito no carregamento e substituíram o dispositivo, fato que estaria documentado oficialmente.

O caso teve início em 22 de julho de 2025, quando policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes cumpriam mandado de busca e apreensão contra um adolescente suspeito de integrar o Comando Vermelho no bairro do Joá, Zona Oeste do Rio.

De acordo com a denúncia, Oruam e outros envolvidos teriam lançado pedras grandes contra os agentes a partir de um andar superior da residência, colocando em risco a vida de um delegado e de um oficial de cartório. Após o episódio, o grupo teria fugido em direção ao Complexo da Penha e feito publicações nas redes sociais desafiando as autoridades.

No recurso apresentado ao STJ, a defesa sustentou que as falhas na tornozeleira ocorreram por problemas pontuais de carregamento, sem intenção de descumprir as medidas judiciais. Também alegou que o cantor é primário, tem residência fixa, exerce atividade profissional regular e pediu, subsidiariamente, prisão domiciliar por motivos de saúde.

O ministro, porém, entendeu que o descumprimento reiterado das cautelares demonstra que medidas mais brandas não seriam suficientes, justificando o restabelecimento da prisão preventiva conforme o Código de Processo Penal.

Segundo Paciornik, a prisão não representa antecipação de pena, mas medida necessária para garantir o andamento do processo e a efetividade das decisões judiciais.

A defesa reforça que pretende comprovar no STJ que o equipamento apresentava defeitos recorrentes. Cardoso afirma que a própria Seap reconheceu o problema, trocou a tornozeleira e enviou o aparelho original para perícia após os supostos descumprimentos.