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Por unanimidade, Roberto Jefferson se torna réu no STM por fraudar registro de CAC

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Por unanimidade, Roberto Jefferson se torna réu no STM por fraudar registro de CAC

Plenário da Corte militar decidiu em sessão virtual reformar decisão que havia rejeitado a acusação do Ministério Público Militar sobre declarações falsas ao Exército para obter registro de atirador profissional

Por unanimidade, Roberto Jefferson se torna réu no STM por fraudar registro de CAC

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Por: Metro1 no dia 03 de novembro de 2026 às 16:05

Atualizado: no dia 03 de novembro de 2026 às 22:23

O Superior Tribunal Militar (STM) determinou o acolhimento em primeira instância da Justiça Militar da União da denúncia do Ministério Público Militar (MPM) contra o ex-deputado Roberto Jefferson por suposto uso de documento falso. O Plenário decidiu por unanimidade, em sessão virtual, tornando o Jefferson réu. As informações são do Blog Lauro Jardim. 

A denúncia já havia sido feita em março pelo MPM, mas foi rejeitada pela Corte por ausência de justa causa para a ação penal. O órgão recorreu. O caso envolve declarações de Jefferson ao Exército em procedimentos administrativos sobre o Certificado de Registro de Caçador, Atirador e Colecionador (CAC). O MPM afirma que o ex-deputado declarou ter bons antecedentes e idoneidade moral e garantiu não responder a inquérito ou processo criminal, o que era incompatível com sua situação jurídica na época, segundo a acusação.

Em dezembro de 2022, a Ouvidoria do MPM recebeu uma mensagem eletrônica anônima, que alegava que Jefferson mantinha registro ativo do CAC ao mesmo tempo que respondia  a processos criminais e cumpria prisão domiciliar. Além disso, o ex-deputado transferiu sua vinculação entre Regiões Militares, incluiu armas no registro e comprou munições. Foram apuradas duas declarações relevantes feitas em agosto de 2020 e em fevereiro de 2021. Em ambas, o ex-parlamentar teria dito que não respondia a inquérito ou processo criminal e que tinha bons antecedentes e idoneidade moral. 

A condenação de Jefferson no caso do Mensalão, em 2012, é um dos principais fundamentos da denúncia. Para o MPM, embora ele tenha sido beneficiado por indulto em 2016, a condenação ainda produziria efeitos secundários relevantes para a avaliação de seus antecedentes. Depois de a denúncia ser rejeitada, o caso foi parar no STM. Agora, o processo volta à primeira instância para a ação penal contra Jefferson prosseguir,

A defesa do ex-deputado ainda não se manifestou.

Quem é Roberto Jefferson

Roberto Jefferson começou como apresentador de televisão e entrou na política em 1971, pelo MDB, e presidiu o PTB entre 2003 e 2005. Deputado federal desde 1982, foi reeleito cinco vezes até ser cassado pela Câmara em 2005, por envolvimento no Mensalão, esquema do qual confessou, em 2008, ter recebido R$ 4 milhões. Condenado em 2012 a 7 anos e 14 dias de prisão por venda de votos, obteve liberdade condicional três anos depois. 

Se tornou apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e foi preso em agosto de 2021 por ameaçar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em vídeos nos quais empunhava armas, e foi transferido para a prisão domiciliar em janeiro de 2022. Em 2022, teve a candidatura à Presidência negada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por inelegibilidade e, após descumprir as restrições da domiciliar com ofensas à ministra Cármen Lúcia, foi mandado de volta à cadeia por Alexandre de Moraes, também ministro da Corte. Ele reagiu à prisão com tiros que feriram dois policiais federais.