Justiça

Caso do Dr. Bumbum não preenche requisitos para prisão preventiva, diz advogado

Em entrevista à Rádio Metrópole, Daniel Keller ainda afirmou que "sensação de impunidade" sobre o caso se deve à lentidão da Justiça

[Caso do Dr. Bumbum não preenche requisitos para prisão preventiva, diz advogado]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Juliana Rodrigues no dia 30 de Janeiro de 2019 ⋅ 09:04

O professor e advogado criminalista Daniel Keller comentou, hoje (30), em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole, a decisão judicial da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, que soltou o médico Denis Cesar Barros Furtado, conhecido como Doutor Bumbum. De acordo com Keller, em casos como esse, a libertação da prisão preventiva não é uma exceção.

"É comum que pessoas que são acusadas por um crime respondam a esse julgamento em liberdade. Agora, excepcionalmente cabe uma prisão preventiva, para que esse indivíduo fique eventualmente preso durante o processo. Isso é exceção. A regra é que a pessoa aguarde em liberdade. O que o tribunal lá no Rio está entendendo é que ele nao preenche os requisitos para essa exceção", analisou o advogado, que também apontou o entendimento de que o crime foi culposo, sem intenção de matar, como outro fator que pode ter influenciado na decisão da Justiça.

Ainda de acordo com Keller, embora a soltura deixe uma "sensação de impunidade", a regra sobre prisões preventivas é a mesma em todos os códigos de processo penal do Ocidente. "O que gera essa sensação de impunidade, pra mim, é a lentidão da Justiça. Porque se ele fosse julgado com rapidez, não haveria necessidade de prisão preventiva. O problema do processo no Brasil não está no fato de ele aguardar em liberdade. É assim em qualquer lugar do mundo. O problema aqui é que, por uma série de motivos, ele demora de ser julgado. Ele não está inocentado das acusações. Ele continua respondendo criminalmente pelo que ele fez", afirmou.

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