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Líderes da base admitem risco de perder o MDB se partido ficar sem a vaga de vice

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Por Jairo Costa Júnior

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Líderes da base admitem risco de perder o MDB se partido ficar sem a vaga de vice

Avaliação é de que, caso atendido, o desejo do PSD em ocupar o lugar que pertence hoje a Geraldo Júnior provocará debandada em massa de partidos aliados ao PT

Líderes da base admitem risco de perder o MDB se partido ficar sem a vaga de vice

Foto: Divulgação

Por: Jairo Costa Jr. no dia 06 de fevereiro de 2026 às 18:18

A cobiça do PSD pela vaga de vice na chapa majoritária do PT pode resultar em novo rompimento na base aliada ao governador Jerônimo Rodrigues. Em  conversas reservadas, líderes governista garantem ter avisado à cúpula petista que entregar o lugar no palanque ocupado em 2022 pelo MDB para outra legenda levará, inevitavelmente, ao retorno da sigla para a oposição, em movimento que tende a provocar debandada em massa de políticos hoje alinhados ao Palácio de Ondina.

Fora de cogitação
"Alertamos o núcleo-duro do governo e o próprio Jerônimo de que seria muito ruim para nosso grupo rifar o MDB da vice e um risco enorme para o projeto de reeleição do governador e do presidente Lula. Sobretudo, porque já está claro que Lúcio e Geddel (Vieira Lima) não aceitarão, sob nenhuma hipótese, ceder a vaga para outro partido, ainda mais se for o PSD", disse um influente cardeal da base, ao citar os dois principais caciques emedebistas na Bahia.

Cerca arrombada
"Há certa dose de arrogância em achar que, por terem virado a folha em 2022, quando o MDB cortou os laços com o bloco do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), não existiria para os irmãos Vieira Lima outra opção a não ser continuar na base aliada. Quem pensa assim está totalmente enganado. Lucio e Geddel não teriam qualquer dificuldade em se realinhar a Neto, que os receberia de braços abertos sem problemas. E se isso acontecer, passará uma boiada na mesma cerca", acrescentou um parlamentar governista com assento no Conselho Político de Jerônimo. 

Oposto do que disse antes
Aliados do PT ouvidos pela Metropolítica afirmaram não ver quaisquer argumentos que justifiquem trocar o MDB pelo PSD.  Citam, por exemplo, as declarações recentes do senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, nas quais ele bateu pé firme de que não interessava ao partido a vaga de vice, apenas a do Senado, que perdeu sentido após Ângelo Coronel romper com o PT e se bandear para oposição, justamente porque se viu defenestrado da chapa. 

Sinucas de bico
"Há ainda o fato de que Jaques Wagner (senador pelo PT) disse em variadas ocasiões que todo mundo que mudava para o lado de ACM Neto chegava laranja e virava bagaço descartado. Como justificar que o MDB chegou laranja em 2022, mas foi transformado em bagaço em 2026? Outra coisa: o tempo de TV do MDB e do PSD são iguais (ambos elegeram 42 deputados federais em 2022). E por fim, Geraldo Júnior é um vice que nunca deu trabalho ou atrapalhou. É até condescendente demais", emendou um político da base bastante próximo a Jerônimo.

Mensagem subliminar
Indagado pela coluna se o MDB deixaria a base se fosse descartado da chapa, o ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima adotou a cautela. Disse apenas que a vaga de vice do MDB jamais esteve em negociação. "Ninguém, muito menos o governador, colocou esse assunto na mesa. Na quinta-feira (05), almoçamos com Jerônimo e demais líderes de partidos aliados ao governo e os únicos assuntos conversados foram a saída de Coronel e o que fazer para manter  o grupo unido e coeso", afirmou.

Bola no chão
Pelo sim, pelo não, o secretário estadual de Relações Institucionais e responsável pela articulação política do governo, Adolpho Loyola, assegurou nesta sexta-feira (06), durante a solenidade com a presença de Lula no Parque de Exposições de Salvador, que a vaga de vice pertence ao MDB.  

O que será?
Uma presença na comitiva que acompanhou  ACM Neto durante sua visita a Irecê, na quinta-feira, chamou a atenção de observadores atentos em matéria de política. Trata-se da empresária Isabela Suarez, presidente da Associação Comercial da Bahia. Em tempos de montagem de chapa, a participação de Isabela na caravana do pré-candidato do União Brasil a governador rende ti-ti-ti até agora.

Causa e efeito
Ainda sobre a passagem de Neto por Irecê, adversários do ex-prefeito de Salvador na cidade dizem ter a explicação para a baixa adesão de líderes políticos locais ao cortejo oposicionista. No caso, o vazio de emendas parlamentares destinadas ao município pelos seis deputados federais do União Brasil. Ao todo, Arthur Maia, Dal Barreto, Elmar Nascimento, José Rocha, Leur Lomanto Jr. e Paulo Azi reservaram cerca de R$ 429 milhões para a Bahia entre 2022 e 2025, segundo a Controladoria Geral da União (CGU). No entanto, somente R$ 528 mil foram para Irecê, o que representa aproximadamente 0,12% do total.