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Líderes do PP na Bahia admitem acúmulo de perdas após aliança com o União Brasil

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Por Jairo Costa Júnior

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Líderes do PP na Bahia admitem acúmulo de perdas após aliança com o União Brasil

Cardeais pepistas apontam desidratação do partido na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia

Líderes do PP na Bahia admitem acúmulo de perdas após aliança com o União Brasil

Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Por: Jairo Costa Jr. no dia 03 de novembro de 2026 às 17:59

Passada a disputa eleitoral, líderes do PP no estado não escondem as insatisfações relativas à aliança com o União Brasil. Para pepistas ouvidos pela Metropolítica, a sigla sofreu um processo de desidratação profunda após se juntar ao partido liderado na Bahia pelo ex-prefeito ACM Neto, que sofreu a segunda derrota consecutiva na disputa contra o governador Jerônimo Rodrigues no duelo pelo Palácio de Ondina.

Matemática do preju
"Fica claro que só fizemos perder musculatura quando decidimos nos juntar ao União Brasil. Em 2022, elegemos quatro deputados federais: Netto Carletto, Mário Negromonte Júnior, Cláudio Cajado e João Leão. Carletto migrou para o Avante e Mário Júnior para o PSB, justamente por causa do casamento com ACM Neto. E os dois foram reeleitos. João Leão colocou o filho em seu lugar, mas Cacá perdeu. Só Cajado e Sandro Filho, novato no partido, se deram bem", resume um cardeal do PP baiano.

Balão vazio
Outras duas lideranças da legenda usam o mesmo cálculo para contabilizar as perdas, só que aplicado à corrida por uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Em resumo, lembram que o PP elegeu seis deputados estaduais na sucessão de quatro anos atrás. Agora, emplacou a metade. Quando começar a nova legislatura, em fevereiro de 2027, a bancada pepista ficará restrita a apenas três parlamentares: Hassan Iossef, Pitágoras Ibiapina e Emerson Penalva. Contudo, nada garante que todos permanecerão no partido futuramente.

Água no chope
"Havia uma expectativa muito grande de que ACM Neto se elegesse governador, mas ele perdeu. Foi o primeiro tombo. Depois, veio o segundo baque, com a virada surpreendente do presidente Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). Acabamos morrendo na praia duas vezes e saímos muito menores do que entramos depois dessa aliança. Já o União Brasil, com seis federais eleitos, não perdeu espaços na bancada baiana na Câmara dos Deputados, embora tenha garantido somente cinco estaduais este ano, contra 11 em 2022", salientou um influente deputado do PP no estado.

Cantinho do castigo
A contabilidade também se estende aos cargos. "Quando estávamos na base governista, tínhamos um punhado de espaços no primeiro e no segundo escalões do governo do estado. Hoje, estamos sem nada. Na Prefeitura de Salvador, o PP não apita nada de verdade e nem deve ganhar uma secretaria com orçamento robusto. No fim, o que sobrou para nós não é nem a sobra do que já tivemos", emendou.

Cara fechada
Principal cacique do MDB da Bahia, o ex-ministro Geddel Vieira Lima anda fulo da vida com a série de acordos eleitorais não cumpridos por integrantes da cúpula da base aliada ao PT da Bahia. Atribui à quebra de pactos firmados a derrota do primo, Jayminho Vieira Lima, na corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Apesar de ter recebido aproximadamente 115 mil votos e ficado na vigésima colocação, Jayminho bateu na trave e acabou fora da lista dos 39 eleitos.

Tanque baixo
A vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos (PDT), saiu das eleições enfraquecida para uma eventual queda de braços pela sucessão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) em 2028. Fiadora da candidatura do ex-deputado Cacá Leão (PP) a uma vaga de federal, Ana Paula assegurou somente 21.942 votos para ele na capital, cerca de sete vezes menos que os 143 mil votos recebidos na cidade pelo deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante).

Mudança de hábito
Antes de costurar apoio elástico para se tornar o futuro presidente da Câmara Municipal de Salvador a partir de janeiro de 2027, o vereador Alexandre Aleluia (Novo) teve que aceitar exigências feitas por um numeroso grupo de aliados. Especialmente, afastar-se da agenda da extrema direita e aposentar o figurino de bolsonarista puro-sangue, com provável troca de partido. Testemunhas privilegiadas das tratativas garantem que ele aceitou de pronto o pacote de contrapartidas.